Saúde
Integração de sistema de saúde vira referência de gestão, explica ex-prefeito de Mogi das Cruzes
09 de Janeiro de 2017
Marco Bertaiolli relata como funciona a rede que informatiza dados de 220 mil pacientes e de todas as unidades de saúde do município


Como melhorar a eficiência dos equipamentos públicos de saúde em uma cidade com mais de 400 mil habitantes? A resposta é tão direta quanto eficaz: integração. Foi o que fez Mogi das Cruzes, um dos maiores municípios da Grande São Paulo, ao criar uma rede entre todas as unidades mantidas na cidade pelos governos municipal, estadual e federal. O Sistema Integrado de Saúde (SIS) tem como base a informatização completa da rede, de modo a conectar hospitais, unidades básicas de saúde e demais equipamentos para que os serviços sejam complementares, em vez de concorrerem entre si, e para que as informações sobre os pacientes possam ser compartilhadas sempre que necessário.

"Deixar claro o papel de cada hospital e que cada unidade deve respeitar a outra, em uma ação que visa a conexão, é a missão do SIS", conta Marco Bertaiolli, que governou Mogi entre 2009 e 2016. O ex-prefeito do PSD apoiou o tucano Marcus Melo, ex-secretário de governo que foi eleito em primeiro turno e foi recém-empossado na prefeitura local.

A iniciativa, lançada em 2010 e desde o início implementada com apoio do PSDB, tem sido vista como boa referência na gestão da saúde pública e pode ser replicada em outros municípios. Nesta entrevista ao ITV, Bertaiolli explica como funciona o SIS. A informatização permitiu a criação de um prontuário eletrônico dos pacientes, agilizou a distribuição de remédios e a marcação de consultas e exames, assim como o controle de todos os atendimentos, que ficam registrados em um cadastro único. Hoje, 220 mil usuários registrados no SIS - pouco mais de metade da população de Mogi - têm online informações sobre consultas, exames realizados e vacinações, entre outros.

Diariamente, o sistema cuida da distribuição gratuita de quase 150 mil comprimidos e oferece uma gama de 229 medicamentos - mais que o triplo dos 67 obrigatórios por lei. E o paciente ainda tem a comodidade de retirar o remédio onde fez a consulta, sem precisar se deslocar até a farmácia.

O SIS também trouxe outros benefícios, como ajudar e acelerar a detecção de casos de violência doméstica contra mulheres e, sobretudo, contra crianças. Com a integração dos dados, é possível identificar atendimentos recorrentes de vítimas de violência em casa, mesmo que ocorram em unidades de saúde diferentes.

Para o ex-prefeito de Mogi, o sistema público de saúde no Brasil deve ser único e conectado. "É muito possível que nós implantemos esse sistema em qualquer cidade. Mais do que tudo, defendo que esse sistema seja implantado pelo governo do estado e também pelo país", afirma Bertaiolli. Veja abaixo a entrevista na íntegra.


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