Reformas Estruturais
Trabalhar contra a reforma da Previdência é apostar em confisco futuro e colapso do país, alerta Paulo Tafner
22 de Novembro de 2017
Economista e pesquisador do tema mostra que reequilíbrio do sistema vai produzir justiça social, igualdade de tratamento e saneamento das contas públicas

"Espero que todos os políticos e partidos comprometidos com a estabilidade e a sobrevivência do país apoiem a reforma da Previdência. O recado tem de ser claro: nós somos a favor de uma reforma na Previdência", afirma o economista Paulo Tafner. Especialista em sistema previdenciário e autor, em parceria com o também economista Fabio Giambiagi, de Demografia: uma ameaça invisível: O dilema previdenciário que o Brasil se recusa a encarar (Elsevier Brasil, 2017, 216 págs), entre outros, Tafner participou em novembro de reunião da Executiva do PSDB para debater com a legenda a importância da reforma da Previdência para o Brasil.

Em entrevista ao Portal do ITV, ele explica as razões que justificam a urgência da reforma e do quanto é necessário buscar maior equidade no sistema: mudanças demográficas, atualização de regras das aposentadorias e a relação entre déficit previdenciário e aumento da desigualdade social. O economista esclarece as transformações que ocorreram na composição demográfica do país e destaca a velocidade do envelhecimento da população brasileira como principal fenômeno que inviabiliza, do ponto de vista estrutural, a sustentabilidade do sistema.

Tafner defende também o fim das aposentadorias precoces e dos benefícios a grupos de privilegiados. A reforma corrige as injustiças atuais do sistema e combate suas fontes de desequilíbrio. De acordo com ele, o grande mérito da reforma é tratar, de modo igualitário, tanto o trabalhador da iniciativa privada como funcionários públicos de todos os grupos.

Além disso, Tafner mostra como o déficit previdenciário produz injustiça social e faz uma brutal transferência de renda às avessas. "É preciso esclarecer para a população que reequilibrar a Previdência significa devolver ao cidadão, especialmente aos mais pobres, os recursos pagos sob forma de impostos. O Estado está deixando de investir R$ 350 bilhões, que diz respeito ao déficit do INSS e dos servidores públicos, em saúde, educação, infraestrutura", declara.


Na entrevista, Tafner também desconstrói o mito - que atrai poucos, mas barulhentos grupos - de que não há déficit na Previdência. O economista explica as extravagâncias e deficiências dessa falácia. "Todos os governos usam a mesma metodologia e assumem o déficit. Será que todos os presidentes e todos os partidos que ali estiveram, todos eles, são coniventes com uma grande mentira nacional?, indaga.


A proposta de uma reforma compacta da Previdência, apresentada pelo governo, é vista pelo economista como um avanço. Os três itens contemplados -  estabelecer idade mínima para contribuição, eliminar privilégios de funcionários públicos e aumentar alíquotas dos servidores do Estado - ajustarão as disfunções do sistema ao conter as despesas com aposentadorias, que, para ele, estão em rota de explosão. "Se nada for feito a despesa previdenciária vai consumir 70% do orçamento da união", conclui.

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