Reformas Estruturais
"Ainda sobre virtudes e adversidades", por José Aníbal
José Aníbal
José Aníbal
14 de Junho de 2017

Há um legítimo anseio da população brasileira por um país mais próspero, um estado mais funcional, uma política de moral renovada, uma sociedade mais justa e menos desigual.

A construção desse caminho é a missão dos que abraçam a causa pública. Uma missão árdua, repleta de obstáculos e intempéries que nem sempre estão claras, mas podem interromper o curso do que se almeja.

Perseguir um ideal não se resume a dar passos à frente nem sair em disparada sem saber aonde se quer chegar.

A gravidade da crise moral na política é tão inegável quanto a urgência em se retomar o crescimento econômico e o emprego.

A necessidade de os partidos se reaproximarem das pessoas é tão pertinente quanto recompor a renda dos que sentiram na pele os efeitos de mais de dois anos de recessão.

A importância das investigações judiciais em curso é tão incontestável quanto a preservação das instituições que compõem o regime republicano e o estado democrático de direito.

Não são frases lançadas ao léu. São uma síntese do quão complexa é a crise em que anos de licenciosidade e irresponsabilidade nos lançaram.

As soluções para esses graves problemas não são estanques nem dicotômicas; elas precisam ser planejadas e perseguidas simultaneamente. É um falso dilema pensar que se é possível trocar um crescimento econômico maior por um ambiente político degradado, ou que se pode melhorar a representatividade do sistema político sem melhorar as condições de vida da população.

Num sistema democrático, regido por uma Constituição, não existe justiça se o revanchismo e o desejo de sangue prevalecerem sobre as garantias à ampla defesa e à obrigação de se apresentar provas de um crime.

Os prejulgamentos, como diz a semântica, não passam de decisões prévias, açodadas e sem o uso da razão.

Sem racionalidade e estratégia, a caminhada por um país melhor se transforma em corrida desenfreada na qual se perde o fôlego muito antes da linha de chegada.

A recuperação do Brasil é uma maratona na qual ainda estamos nos primeiros quilômetros. Acelerar o passo cria a falsa ilusão de se estar mais próximo do objetivo, quando na verdade torna mais difícil chegar ao metro final.

Os passos que o Brasil precisa dar são as reformas estruturantes. Paralelamente, é preciso fazer andar também uma nova base ética e moral para a condução das discussões políticas e para o funcionamento dos partidos.

Só assim poderemos construir a melhor estratégia para a caminhada nacional: a construção de uma agenda de campanha para 2018 baseada na racionalidade, na convicção de que é preciso afastar qualquer solução salvacionista e sectária como as que insistem em surgir no horizonte. Sem firmeza na defesa do que é inadiável para o Brasil, estaremos fadados a ficar pelo caminho.

(*) Presidente nacional do ITV, foi deputado federal, senador e presidente nacional do PSDB

Artigo publicado no Blog do Noblat - O GLOBO, em 14/06/2017

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