Reformas Estruturais
"A chama reformista do PSDB", por José Aníbal
José Aníbal
José Aníbal
15 de Janeiro de 2018
Na Folha Mercado de sexta-feira (12/01), vale a leitura do artigo de Pedro Luiz Passos: O que falta para o ajuste fiscal. Ele aponta as consequências dramáticas da exaustão do modelo fiscal: "a crise nas contas públicas chegou ao dia a dia da população de forma dolorosa, materializada, por exemplo, no fechamento de postos de saúde, na ausência de policiamento e no atraso de salários e aposentadorias do funcionalismo em alguns Estados". Em seguida, supõe que o sofrimento provocado pelo colapso dos serviços públicos "desenvolve na população a consciência de que recursos destinados originalmente à aplicação no bem comum foram tomados por grupos de interesse. Ao mesmo tempo, os brasileiros também compreenderam que nada mudará sem um ordenamento orçamentário que remova privilégios, assegure estabilidade fiscal e garanta serviços de qualidade".

É estimulante imaginar que Passos tem razão quanto aos brasileiros. Com certeza tem razão quanto aos políticos (em sua maioria). "Os políticos ainda não acordaram para as atuais demandas do país e tratam a equação fiscal como se dançassem um bolero na base do dois para lá, dois para cá. É hora de mudar em favor da maioria".

Como político do PSDB, partido reformista, sempre defendi e lutei pelas reformas. Fui líder do partido nos dois primeiros anos do governo FHC, quando votamos reformas fundamentais para consolidar a estabilidade conquistada com o Real. Deveríamos - e eu acreditava que tínhamos como - continuar avançando com as reformas, principalmente depois da aprovação da emenda da reeleição. Infelizmente, fui "voto vencido" e abri mão de continuar na liderança.

Hoje, com a reforma da Previdência pautada para votação daqui a um mês, vejo com preocupação a expressiva resistência remanescente na bancada federal do PSDB a votar sim. Um sim para assegurar a sustentabilidade do INSS, que garante aposentadorias e pensões para 33 milhões de brasileiros, dois terços deles recebendo benefício médio de R$ 1.200,00. Um sim para iniciar um longo caminho de extinção das aposentadorias especiais (as devastadas contas públicas já não têm como pagar esses privilégios causadores de boa parte da corrosão fiscal) em direção a um regime único de aposentadoria para todos os brasileiros. Um sim que sintoniza os benefícios previdenciários/tempo de contribuição com o avanço expressivo da expectativa de vida de toda a população.

Todos nós queremos um país democrático, com crescimento, oportunidades para todos, menos desigual. Irresponsabilidade fiscal é crime contra os brasileiros, especialmente os mais pobres. Como escreveu Passos, se não mudar, os sinais de colapso de um país tão promissor quanto o nosso vão se agravar. Ou o PSDB está totalmente comprometido com as mudanças, ou nossa chama reformista vai se apagar.

LEIA AQUI o artigo de Pedro Luiz Passos

(*) Presidente nacional do ITV, é senador suplente por São Paulo. Foi deputado federal e presidente nacional do PSDB

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