Reforma Política
PSDB tem papel crucial no resgate do valor da atividade política, diz Sérgio Fausto
08 de Setembro de 2016
Concluído o processo de impeachment de Dilma Rousseff, o Brasil tem uma agenda de curto prazo a ser resolvida - o ajuste nas contas públicas e a recuperação das condições para o crescimento da economia são a prioridade -, mas também tarefas de longo prazo, em especial a reforma do sistema político, atingido por uma forte crise de credibilidade e representatividade. Se o momento é de reconstrução do país após os 13 anos e 8 meses de passagem do PT pelo poder, também é a oportunidade para reavaliação e atualização das forças políticas mais consistentes.

Nesse cenário, o cientista político Sérgio Fausto, superintendente-executivo da Fundação FHC, vê espaço para uma modernização do ideario social-democrata que o PSDB ostenta em seu nome e em sua origem. Ele observa, em entrevista ao Portal do ITV, que em todo o mundo há um momento de reflexão dos partidos que defendem a atuação do livre mercado associada a políticas de inclusão social, e os tucanos devem fazer sua discussão com "aderência na realidade brasileira".



Para Sérgio Fausto, esse é o primeiro de três desafios colocados para o PSDB. O segundo é assumir o protagonismo - ao lado de siglas como PMDB, DEM, PPS, PSB e o próprio PT - de reorganização do sistema político brasileiro, de modo a resgatar credibilidade, representatividade e funcionalidade. "A contaminação da política por práticas ilegais de corrupção reveladas pela Operação Lava Jato provocou o descrédito do sistema e da atividade políticas", diz o cientista político.

Por fim, o terceiro desafio é a reforma política em si. "É preciso encontrar novas formas de se fazer política. Eu ando muito preocupado com a fragmentação dos partidos, a perda da densidade programática das principais legendas e a superação da disputa entre campos políticos que organizaram a política brasileira, que foram o PSDB e o PT", afirma.

Nessa entrevista ao ITV, Sérgio Fausto também traça um panorama do ativismo político nas mídias sociais. Na contramão do senso comum, ele questiona a legitimidade da atuação política por meio dessas plataformas. Para o cientista político, o debate nas redes é extremamente polarizado e, aos políticos, cabe ir além dessa tensão.

"A política passa pela capacidade de enfrentamento, mas também do diálogo, da compreensão das razões do outro e do respeito às razões do outro, não apenas porque respeitar a liberdade de se expressar é um princípio básico da democracia, mas também porque no diálogo você pode gerar descobertas e soluções que são melhores daquelas que preexistiam quando eu tinha minha opinião e você a sua. E desse ponto de vista as mídias sociais têm se demonstrado desastrosas", argumenta.

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