Reforma Política
Para Paulo Kramer, Brasil precisa pôr fim à proliferação irresponsável de partidos políticos
21 de Agosto de 2016
O cientista político Paulo Kramer estuda há quase três décadas a movimentação congressual em Brasília. Nessa condição de "observador engajado" - como ele próprio se define -, tem procurado manter uma expectativa "modesta" com relação à reforma política. Para ele, já estaria "de bom tamanho" se fossem aprovados o fim das coligações nas eleições proporcionais e o estabelecimento da cláusula de barreira. "Essas duas medidas são essenciais para evitar essa proliferação irresponsável de partidos", diz. "O importante é que qualquer proposta de reforma política seja factível para que, pelo menos, comece a andar. E esses dois itens são essenciais."

A reforma política está entre as prioridades para o país elencadas pelo PSDB ao governo Temer. Em julho, os senadores Aécio Neves e Ricardo Ferraço apresentaram Proposta de Emenda à Constituição (PEC 36/2016) que prevê, além dos dois pontos elencados por Kramer, a fidelidade partidária. "Não há dúvidas de que é uma reforma importante. Como dizem, é a mãe de todas as reformas", reforça o cientista político. "Em uma sociedade de democracia avançada, existem no máximo cinco ou seis posições políticas. No Brasil são quase 30 partidos. E sabemos para que serve a maioria deles: são legendas de aluguel que vivem muito bem do dinheiro do Fundo Partidário, que sai do meu, do seu, do nosso bolso", afirma.

Nesta entrevista ao Portal do ITV, o professor da Universidade de Brasília (UnB) comenta ainda o atual clima político no Brasil. "Está todo mundo com raiva dos políticos, há um clima de Fla X Flu pouco civilizado, mas há uma diferença grande para outros momentos da nossa história: está nascendo no brasileiro o interesse por política. As pessoas estão percebendo que devem ficar de olho e, às vezes, dar uma dura nesse pessoal. E isso é muito positivo", observa. Nestas eleições, diz Kramer, os candidatos com mais conteúdo - ou seja, aqueles que têm o que dizer ao eleitor - serão mais beneficiados, pois será uma campanha de pouco dinheiro e mais discurso e "sola de sapato". É a campanha "banquinho e violão", explica ele.

Veja a entrevista completa de Paulo Kramer ao Portal do ITV




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