Reforma Política
“'Marca é aquilo que falam da gente quando a gente não está presente'”, por André Torretta
André Torretta
André Torretta
17 de Junho de 2016

Vivemos a tempestade perfeita: crise política, crise econômica, crise de modelos de negócios (BER), crise de valores. Vivemos todas as crises. Inclusive a crise do marketing político. E é justo que o marketing político esteja em crise, mas não pelos motivos que estão dizendo por aí. Crime não tem nada a ver com marketing político. Mas voltando. Em 1994 fazer marketing político em uma campanha eleitoral em uma campanha era sustentada em três alicerces: Tv, Rádio e Showmícios. Anos depois a legislação mudou. Foi-nos dito que era para economizar dinheiro, pois os showmícios eram muito caros, e os eleitores não iam aos comícios para verem os discursos, mas sim os artistas. O que era verdade. Aquilo era uma afronta à democracia.


A legislação foi mudando, e a última mudança foi encurtar o tempo da campanha. A justificativa era também de baratear a campanha. Rssss. Não é o temo que barateia a campanha. A única coisa que barateia uma campanha são boas propostas, empatia com o cidadão e estar nos meios de comunicação corretos. Pronto. Simples assim.


Vamos falar destes pontos:


1.    Boas propostas. A maioria dos políticos que eu vejo por aí não possuem propostas claras, concisas e que fazem diferença no dia a dia das pessoas. A maioria delas são absurdamente genéricas: “Vamos melhorar a saúde da nossa população”, “A mobilidade urbana precisa estar nas nossas pautas”, “Educação será prioridade número um na minha administração”. Mas como vão fazer isso? De que maneira? Como? Como? Como? É preciso ter boas ideias, copiar boas ideias, fazer pesquisas, trabalhar, falar com os formadores de opinião, com as escolas. Compilar ideias e informações e construir o seu próprio discurso. O marketing politico entra onde? No refinamento das palavras, no refinamento do discurso, na melhor maneira de comunicar.


2.    Empatia com o cidadão. Empatia é estar no lugar do outro, é sentir o que sentiria o outro caso estivesse na mesma situação. Para isso é necessário compreender o outro, compreender sentimentos, emoções. A empatia transmite emoções, emoções de ajuda, de amor, de interesse ao próximo. “Quando um indivíduo consegue sentir a dor ou o sofrimento do outro ao se colocar no seu lugar, desperta a vontade de ajudar e de agir seguindo princípios morais”. O Marketing Politico entra aqui? Sim. Existem técnicas e exercícios para que a classe politica entende, compreenda e utiliza da empatia.


3.    Estar nos meios de comunicação corretos e com competência. Este talvez seja o ponto onde o marketing politico seja mais imprescindível, mais necessário e mais assertivo. Se antigamente os meios de comunicação eram os showmícios, os comícios, as reuniões, a tv, o rádio, isso acabou. Hoje são as reuniões, a tv, o rádio e a internet. Tv e rádio nós já temos décadas de experiência, a grande novidade é a internet. Preste atenção nesta novidade. A legislação não sabe o que fazer com ela, e por isso mesmo quase não faz nada. Por exemplo, campanha eleitoral tá liberada. É novidade porque na internet a campanha eleitoral já começou desde o ano passado, aliás já começou desde sempre. E você está nela. Quer queira, ou não você já está na internet. Mas você tem que saber o que são redes sociais, o que é impulsionamento, o que são linques pagos. É uma ferramenta complexa. Por exemplo, você está usando mídia programática para a construção do seu branding? Não. Pois é.


Para isso que serve um profissional de marketing político? Para melhorar a assertividade do seu discurso, garantir que o seu discurso chegue no seu público alvo. Enfim, para baratear a sua campanha politica.


Nota do autor: O título é uma frase é do Jeff Bezos, fundador da Amazon. Pra mim, ela fala mais sobre Marketing Politico do que todo o meu artigo.


 


André Torretta - Publicitário, especialista em perfil de consumo de classes populares é sócio-diretor da agência A Ponte Estratégia

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