Reforma Política
José Aníbal: crise atual é resultado do voluntarismo autoritário e da incompetência do PT, associados a populismo e patrimonialismo
11 de Junho de 2016

 


Em discurso no Senado, o presidente do ITV fez um protesto contra a violência de gênero: "Isso nos impõe o compromisso crescente com o punir, o educar e o fazer o possível para termos uma convivência mais solidária entre homens e mulheres"


O presidente do ITV, senador José Aníbal, afirmou, em discurso no plenário do Senado, que "a crise atual não foi resultado da má sorte, acaso ou destino, mas consequência inevitável do projeto de poder do lulopetismo". "Uma soma de voluntarismo autoritário, cupidez e incompetência, que vicejou e se nutriu dos elementos mais arcaicos e negativos de nossa cultura política: o populismo oportunista e eleitoreiro e o patrimonialismo sem limites", disse. "Um passo essencial para a reconstrução do Brasil é encararmos e superarmos os traços mais deletérios dessa cultura política, que tem profundas raízes e é capaz de perverter até mesmo as mais inovadoras iniciativas", completou.

Entretanto, considerou o senador, as instituições estão preservadas e continuam em pleno funcionamento. "Os brasileiros precisam e esperam de nós coragem, liderança, desprendimento e trabalho. O futuro se turvou e nós vivemos tempos turbulentos e movediços. O Brasil sofre, o nosso povo sofre. Precisamos nos reencontrar e retomar o rumo perdido, o diálogo, o debate, às vezes tenso, mas que não pode se reduzir ao nós contra eles”, afirmou.

Mulheres
Em seu discurso, o presidente do ITV fez uma homenagem às mulheres, saudando especialmente as senadoras Ana Amélia, Angela Portela, Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Kátia Abreu, Lídice da Mata, Lúcia Vânia, Marta Suplicy, Regina Sousa, Rose de Freitas, Kátia Abreu, Simone Tebet e Vanessa Grazziotin. José Aníbal também fez um protesto contra a violência de gênero. "Quero dizer às senadoras o meu constrangimento, a minha indignação e a minha solidariedade contra essa onda de violência contra as mulheres. É inaceitável. Isso deve impor a todos nós um compromisso crescente com o punir, com o educar, com o fazer o que estiver ao nosso alcance, para que tenhamos uma convivência mais amistosa e solidária entre homens e mulheres.


Corporativismo
José Aníbal atacou o forte corporativismo presente no Brasil e o comparou à corrupção, como males que precisam ser extirpados. “A corrupção é o mais evidente desses males, mas seria ingênuo limitarmos o inventário de nossas fraquezas à corrupção. Ela é apenas uma das manifestações dos atrasos e arcaísmos que engolfam e paralisam o País. O corporativismo, talvez, seja mais grave que a corrupção, porque, diferentemente desta, pode dissimular sua natureza corrosiva e desagregadora com a retórica do bem comum. Usam surrados discursos ideológicos, como a proteção do trabalhador, a proteção do interesse público ou o desenvolvimento nacional, para continuar praticando extração particularista de parcelas crescentes da renda nacional”, disse.


“Não é por acaso que, em meio à pior crise econômica de nossa história recente, frente a um desemprego que já atinge 11,4 milhões de brasileiros, uma das grandes cobranças que se faz ao novo Governo seja a de conceder reajuste salarial, para o qual não há nenhuma viabilidade fiscal. Neste ano, temos um déficit primário previsto de R$170 bilhões, além de uma despesa de R$460 bilhões com juros, uma conta de mais de meio trilhão de reais no lombo dos brasileiros. Os cofres públicos estão em frangalhos e não podem suportar mais essa demanda”, continuou o senador.


Reforma Política
O senador defendeu a urgência de uma reforma política no Brasil e criticou a ineficiência das leis orçamentárias vigentes: “O sistema político, de modo geral, não contribui para acelerar o desenvolvimento. Temos o desafio de responder, de forma eficaz, à reivindicação das ruas feita desde 2013: a reforma política. Roteiro estimulante foi sugerido pelo presidente Fernando Henrique Cardoso em artigo publicado domingo passado: cláusula de barreira, fim das coligações, semipresidencialismo, voto distrital”.


“É urgente mudar nossas leis orçamentárias e de finanças públicas. Não há como fugir de um diagnóstico pouco honroso: nosso processo orçamentário – na elaboração e na execução – se tornou um arrastado e ineficiente processo burocrático, cheio de circunvoluções e rotinas quase sem sentido. Praticamente todo o gasto é vinculado, com pouco espaço para a alocação eficiente dos recursos. Quase todo o gasto é obrigatório. A peça orçamentária é meramente autorizativa, e, sendo assim, a efetiva liberação de recursos acaba sendo o lubrificante da grande usina do fisiologismo em que se transformou o presidencialismo de coalizão”, complementou.


Combustão espontânea
Para ele, as reivindicações que eclodiram no Brasil inteiro desde 2013 têm de servir como aprendizado para os políticos em geral. “O Brasil é um país rico e promissor, mas a riqueza hoje produzida é brutalmente mal distribuída. Temos de ouvir e aprender cada vez mais com o clamor das ruas. Essa combustão espontânea, que levou milhões de brasileiros às ruas pelas mudanças, tem um sentido: o povo quer um País melhor, mais justo, mais solidário, com mais, muito mais, igualdade de oportunidades com responsabilidade. O momento é de tumulto e incerteza e cabe a nós assumirmos a grandeza de não nos afastarmos do que é principal: a recuperação da economia brasileira, para que ela volte a crescer e gere novos empregos que os brasileiros justamente almejam. Embarquemos confiantes nessa missão”, concluiu o senador José Aníbal.


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