Reforma Política
Confronto entre velho e novo Brasil explica crise política atual, diz Oscar Vilhena
03 de Fevereiro de 2017
Compreender a etapa de transição pela qual o país tem passado não é tarefa fácil. Com uma nação polarizada, dividida do ponto de vista político, e dominada por apegos ideológicos de toda sorte fica mais difícil ainda. Sem contar que as mudanças que ocorreram são muito recentes, além de outras que ainda estão por vir. Por essas, entre outras razões, analisar com clareza e discernimento o momento de inflexão que estamos vivendo não é empreendimento para amadores. Ponto fora da curva, o jurista e cientista político Oscar Vilhena faz um diagnóstico preciso e imparcial sobre nossa situação. "Esse Brasil acostumado com a corrupção e a não levar a cabo os interesses da população está se chocando com um novo Brasil com uma população que exige os seus direitos e com instituições renovadas que passaram a usar as esferas de poder para impor a lei de maneira mais igualitária", avalia.

Em entrevista ao Portal do ITV, Oscar Vilhena, também diretor do curso direito da FGV, examina a crise atual como resultado de um confronto entre um país mais republicano e democrático, que tem se imposto, a um Brasil mais tradicional e patrimonialista. Para ele, esse enfrentamento explode com as manifestações de 2013. O movimento, segundo Vilhena, não tinha nada de revolucionário, já que não pedia, por exemplo, o fim do capitalismo, mas reivindicava serviços públicos de qualidade, questionava os partidos como forma de representação democrática e alertava que os brasileiros não tolerariam mais que a lei não fosse aplicada de modo igual para todos. "Aplicar a lei se tornou algo revolucionário no Brasil", declara.

Vilhena também analisa o destaque e a relevância do judiciário nesse contexto. A preocupação de que o setor avance nas responsabilidades de governança do Estado é descartada por ele, que considera o judiciário sem competência, condição ou institucionalidade para tais atribuições. "O judiciário está tendo um papel importante em desestabilizar a política arcaica brasileira", conclui.

Assista à entrevista!

Comentários