Reforma Política
Brasil precisa recuperar capacidade de gerar novas lideranças, afirma José Álvaro Moisés
20 de Janeiro de 2017
Cientista político da USP aponta carência de mais líderes como terceira dimensão das crises política e econômica dos últimos anos


Há um desafio prioritário à frente dos partidos políticos, na avaliação do cientista político José Álvaro Moisés, professor titular da USP e diretor do Núcleo de Pesquisa em Políticas Públicas (NUPPs) da universidade: recuperar sua relevância não só para o sistema democrático em si, mas para a formação de um maior volume de lideranças políticas com representatividade e capacidade de condução do país.

"Os partidos perderam o protagonismo, a centralidade, como elemento importante da democracia", diz o acadêmico, ao criticar a excessiva fragmentação partidária do Brasil e ao apontar necessidade de novas formas de diálogo entre a classe política e a sociedade. "Nós fomos perdendo a capacidade de gerar novos líderes."

Tal situação não é uma urgência só dos partidos, na avaliação de José Álvaro Moisés. Para ele, a academia também deveria dar atenção a essa carência. "As universidades têm que voltar a olhar para essa questão", afirma, para que criem condições de qualificar o melhor possível os jovens que demonstrem interesse e desejo de ingressar na vida pública.

Em entrevista ao ITV, José Álvaro Moisés também aponta as causas de um cenário preocupante: conforme pesquisa de opinião feita sob sua coordenação, 92% dos entrevistados não se sentem representados por nenhum partido. "Estamos no fundo do poço", lamenta. Para contornar esse quadro, o cientista político aponta alguns caminhos, como a reorganização e capacidade de renovação dos próprios partidos, assim como os efeitos que a experiência da Operação Lava Jato provocará em relação ao comportamento ético na vida pública. "A Operação Lava Jato está acenando para a sociedade a possibilidade de reconstrução da política, de sua dignidade e de seu valor, em um contexto em que o interesse público, o interesse republicano, prevaleça", diz.

Veja a íntegra da entrevista.

Comentários