Reforma Política
"Brasil precisa oxigenar o debate e acabar com privilégios para reduzir injustiças e atrasos", afirma José Aníbal
12 de Abril de 2017
O presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal, foi o palestrante convidado para a abertura do Círculo Leão XIII de debates sobre o Brasil, realizado pelo Centro Acadêmico da Faculdade de Economia, Administração, Contábeis e Atuariais (FEA) da PUC-SP. Ele falou sobre perspectivas de saída da crise, o papel do jovem na construção de um futuro mais justo, a importância da retomada do diálogo tão criminalizado nos últimos anos e a necessidade de modernizar o Brasil.

Aníbal enalteceu a iniciativa dos jovens universitários em promover um circuito de debates durante esse momento de tensão que vive a sociedade. “É muito significativo que vocês estejam oxigenando o debate aqui. Essa disputa que tem marcado os últimos anos no Brasil penalizou muito o bom diálogo. Esse nós contra eles não leva a nada. As pessoas precisam dialogar mais, uma sociedade democrática se constrói assim. Qualquer outra solução que não seja dentro da democracia vai piorar muito as coisas”, afirmou.

Segundo ele, discursos populistas e radicais vêm ganhando cada vez mais espaço nas discussões políticas e é preciso encontrar um consenso a fim de construir uma agenda comum entre os mais diferentes setores da sociedade para modernizar o País e superar a crise que afeta a todos os cidadãos. “Somos um País rico e pobre ao mesmo tempo, extremamente desigual. Temos uma enorme fratura social a resolver - e que deve se agravar após anos de recessão e queda do PIB e da renda. É hora de olhar adiante, virar a página, oxigenar o debate nas mais diversas instituições e destravar o Brasil”, avaliou.

O caminho para começar a reduzir as desigualdades tem início no combate aos privilégios que marcam o Estado brasileiro. “O Brasil e a sociedade não toleram mais isso, querem mais transparência e igualdade”, disse. “O compadrio, a letargia, a burocracia e o custo desse imenso Estado brasileiro são travas ao nosso desenvolvimento”, complementou Aníbal.

Reformar o Brasil

O tucano disse que o caminho a percorrer ainda é longo, mas exaltou ações que considera virtuosas do governo Temer, como a centralidade da ação na reorganização das contas públicas e na aprovação das reformas - como a da Previdência, da legislação trabalhista e do sistema tributário. “Esses temas devem ser objetos de bons diálogos com a sociedade, principalmente por parte dos políticos. É dever do político se expor, conversar com seus eleitores, mostrar os problemas e as desigualdades. Se omitir é um erro muito grave”, analisou o presidente do ITV.

Ele considera o caso da Previdência o mais grave dos problemas, e vê a reforma como ‘indispensável’. “O Rio de Janeiro já chegou à situação de não conseguir pagar suas aposentadorias. É preciso mostrar pra sociedade que 69% dos brasileiros aposentados ganham um salário mínimo. Temos que ter um regime único de aposentadorias, acabar com os sistemas especiais, estabelecer uma idade mínima, regras de transição”, disse.

José Aníbal também pediu foco na modernização da legislação trabalhista e simplificação do sistema tributário. “As leis que regem o nosso mercado de trabalho são da época do bonde e da lamparina, não cabem mais no mundo contemporâneo e competitivo atual. É preciso avançar nessa questão, dar mais agilidade ao sistema econômico, mas sempre assegurando direitos adquiridos”, afirmou. “Outra questão é a simplificação tributária, que acaba incentivando a desigualdade, pois quem paga mais impostos proporcionalmente são os mais pobres”, completou.

Quanto ao sistema político, o presidente do ITV defendeu a adoção do voto distrital. “Nosso sistema eleitoral está exaurido, falido. Tem que mudar para o voto distrital, que reduziria brutalmente o custo das campanhas e aumentaria a representação eleitor-eleito significativamente”.

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