Reforma Política
As novas formas de mobilização política na internet não substituem a tradicional política humana, diz Bernardo Sorj
23 de Outubro de 2016
Sociólogo questiona ativismo político nas redes sociais como meio eficiente de comunicação democrática e saída incontestável para superar a crise de representação política pela qual passam o Brasil e o resto do mundo


"Para fazer política não basta apenas dar um clique", afirma Bernardo Sorj, autor de Ativismo político em tempos de internet, livro organizado em parceria com o cientista político Sérgio Fausto e resultado de 19 estudos de caso sobre o tema em seis países sul-americanos. Especialista no assunto, o sociólogo não nega a importância da internet como espaço para fazer política e transmitir ideias e propostas, mas alerta que política, na sua versão tanto tradicional como contemporânea, é uma atividade humana que exige reflexão, debate, negociação e acordos que fazem com que a vida em sociedade se torne mais viável. "Até hoje a internet não permite isso, não substitui isso." 

Em entrevista ao Portal do ITV, Sorj aponta os desafios e contradições da internet e explora, sem idealizar, a relação entre a política e o mundo virtual. Para ele, as redes sociais são hoje os principais meios de comunicação, por meio dos quais é possível ter contato com um vasto número de pessoas e divulgar, sem custos, o conteúdo que quiser. Esses fatores, a princípio, favorecem novas formas de ativismo democrático. Mas há outras forças contrárias à democratização da comunicação política que atuam nesse universo. Para o sociólogo, um dos grandes problemas do mundo virtual é o anonimato, ou seja, não se saber realmente quem está por trás do conteúdo divulgado nas redes. "Não pense que o mundo virtual é virtual. O mundo virtual não existe virtualmente. O mundo offline está presente permanentemente no mundo virtual", observa.

As diferenças entre as mobilizações políticas do século 20 e as atuais são também abordadas na entrevista, assim como o papel das redes sociais nesse momento de crise de representação política no qual as democracias contemporâneas enfrentam a fragilidade dos partidos, o descrédito da atividade política e a desconfiança em relação aos políticos. Nos debates acalorados entre ativistas e pessimistas do mundo virtual, Sorj lança a pergunta que, para ele, realmente importa: "Como a internet pode contribuir para sairmos dessa crise de representação política?"

Veja e compartilhe a íntegra da entrevista com o sociólogo Bernardo Sorj

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