PSDB
"Carta ao PSDB", por Paula Ioris
Paula Ioris
Paula Ioris
01 de Abril de 2019
Uma tímida luz se acende em Brasília, na sede nacional do PSDB. O presidente do Instituto Teotônio Vilela, Tasso Jereissati, conclama os tucanos de todos os cantos do Brasil a se manifestarem sobre os rumos de nossa legenda.

Desde então, uma fagulha de esperança iluminou meu coração. O desgaste da sigla ficou público e evidente nas últimas eleições. Senti nas ruas os reflexos do envolvimento de reconhecidos tucanos em escândalos de corrupção. Nós, mulheres e homens públicos, ficamos todos na vala comum.

Nosso caráter, o trabalho incansável e a consistência resultados da firmeza de propósitos ficaram em segundo plano. O senso comum da generalização por causa dos "maus" políticos, os rótulos e preconceitos fixados na sigla nos penalizam, de forma pessoal, injustamente.

Qualquer candidato, mesmo tendo velhas e condenáveis práticas e pouco preparo, mas que tenha ares de novidade, desperta a confiança e a credibilidade da população, tão desacreditada e, em sua maioria, alheia à política.

Não são poucas as pessoas que me sugerem a mudança de partido. Sigo respondendo: o que me faz permanecer no PSDB é a sua ideologia e também a liderança inspiradora de alguns tucanos.

Acredito no valor da social-democracia, que é o perfeito equilíbrio da livre iniciativa com a assistência do Estado aos mais vulneráveis. Não somos e não devemos ser populistas, nem de esquerda e nem de direita, tampouco liberais. Somos o caminho do meio, o equilíbrio entre o público e o privado. Só não sabemos explorar e comunicar o que nos diferencia.

A política está desgastada porque a politicagem tem imperado dentro dos partidos. As ideologias foram esquecidas e se anulam frente aos interesses pessoais. Hoje as pessoas trocam de partido como quem troca de roupa, em busca de projeção e melhores oportunidades, pensando em cargos ou candidaturas, e não porque são identificadas com a essência da sigla.

Perdemos mais do que uma eleição nacional, perdemos a chance como nação de ter o presidente mais preparado para fazer a economia voltar a crescer a partir das reformas necessárias que vão alavancar o País. Na minha opinião, Geraldo Alckmin iniciou a eleição derrotado porque o partido não soube ser austero a respeito de Aécio Neves. Quando foi permitido sua permanência no PSDB e sua candidatura, resultando em reeleição, nos tornamos iguais às siglas que julgamos e condenamos tanto.

Somente com atitudes íntegras, firmes e coerentes vamos resgatar o nosso valor, jamais com a mudança do nome do partido. Isso novamente nos igualaria aos demais. É só perfumaria. A verdadeira mudança é a mais difícil, de dentro para fora, separando o joio do trigo.

Devemos retomar, com força, a defesa do modelo do parlamentarismo, que faz parte do estatuto do partido. Com a visão de um Brasil com uma resposta mais eficiente na resolução de crises políticas, mais facilidade e velocidade na aprovação de leis e maior proximidade entre os poderes.

Sugiro, também, como contribuição a criação de um código de ética e comportamento que deverá ser seguido por todos os filiados. Diretrizes que estejam acima de qualquer pessoa e qualquer cargo. Quem não seguir nossos valores e ideologias deve buscar seu espaço em outra sigla, mantendo assim a harmonia e a unidade entre os filiados.

O PSDB tem os quadros mais qualificados e a marca intelectual é um diferencial nosso. Recomendo, ainda, aos dirigentes da sigla explorar ainda mais essa característica. O partido deve promover formações estaduais, nas mais diversas áreas, com o objetivo de desenvolver pessoal e profissionalmente os filiados para que estejam preparados e atualizados a assumir os desafios públicos que os novos tempos nos impõem.

Outra estratégia que considero vital para o fortalecimento de nossa sigla seria a criação de um canal de divulgação de projetos de lei de vereadores e de governos municipais e estaduais. Os desafios públicos são comuns a todas as cidades e as soluções devem ser compartilhadas para que possamos evoluir e crescer coletivamente.

Tenho na política o sentimento de missão e a convicção de que é possível fazer da política a ciência que de fato pode melhorar a vida das pessoas. Agradeço e parabenizo o presidente Jereissati pela iniciativa que permite ouvir quem, assim como eu, quer fazer parte da reconstrução do PSDB.

Estamos, juntos, com coragem e determinação, "perto do pulsar das ruas e longe das benesses oficiais"!

(*) Vereadora, é presidente do PSDB de Caxias do Sul (RS)

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