Política Externa
José Serra propõe "despartidarização" da política externa
19 de Maio de 2016

Brasília (DF) – Uma das primeiras diretrizes anunciadas pelo ministro das Relações Exteriores José Serra, em seu discurso de posse na última quarta-feira (18), foi a ‘despartidarização’ da política externa brasileira. Nesta quinta-feira (19), em evento no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo, o chanceler explicou que não se trata de promover uma “partidarização às avessas”, mas sim de livrar a política externa dos vieses ideológicos adotados pela gestão petista.


“[Que vamos] despartidarizar não tenho a menor dúvida. Agora, dizer que eu estou partidarizando é ridículo, até porque estou há uma semana [como chanceler], não há indício nesse sentido e não vamos fazer”, disse, em reportagem publicada pelo jornal Folha de S. Paulo. “Não é meu estilo, não é estilo do governo. É outro departamento. A gente sabe quem está acostumado a aparelhar”, afirmou.


As novas propostas para a política externa brasileira se distanciam das medidas empregadas nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da presidente afastada Dilma Rousseff. Enquanto os petistas se alinharam ideologicamente a governos bolivarianos, como Venezuela e Bolívia, o chanceler José Serra busca fortalecer suas relações com a Argentina do presidente Mauricio Macri.


O ministro considerou que a América do Sul será prioritária na agenda de comércio exterior do Brasil, mas destacou que, caso Dilma Rousseff seja afastada em definitivo, os dois anos e meio do governo do presidente em exercício Michel Temer (PMDB) serão suficientes para promover avanços em negociações comerciais também com os EUA e a União Europeia.


“Já tem coisas em andamento, algumas precisam ser aceleradas, outras precisam ser revistas, outras fortalecidas”, apontou. “O que a gente tem é que mudar a tendência, mudar o sinal, tem que criar impacto no mundo com produtos brasileiros.”


O chanceler brasileiro defendeu também o fortalecimento do Mercosul. “Ainda existem muitas barreiras que subsistem. Temos que fortalecer o livre-comércio, procurar formas de flexibilizar o Mercosul de maneira que a gente possa fazer acordos bilaterais com outros países do mundo, em outros continentes. Na forma que está hoje isso se torna difícil porque que tem que levar todos os países juntos”, avaliou.


Serra classificou ainda os questionamentos levantados por governos de esquerda quanto ao processo de impeachment de Dilma Rousseff como “contestação aparelhada”. Ele elogiou a posição do representante dos EUA na Organização dos Estados Americanos (OEA), Michael Fitzpatrick, que contestou a acusação de que o afastamento de Dilma se trata de um ‘golpe’. Fitzpatrick disse confiar nas instituições do Brasil e acrescentou que o real problema da região ocorre na Venezuela, palco de uma crise econômica e política.

 

Comentários