"Política externa não pode representar um partido e privilegiar os aliados no exterior”, diz José Serra
07 de Junho de 2016

Brasília (DF) – Em entrevista ao programa Roda Viva, da TV Cultura, na segunda-feira (6), o ministro das Relações Exteriores José Serra (PSDB-SP) destacou que a política externa deve representar a nação como um todo, sem priorizar partidos ou aliados no exterior. O tucano criticou a condução da chancelaria brasileira durante o governo da presidente afastada Dilma Rousseff, que ideologizou a política externa, aliou o país a governos bolivarianos, e promoveu “uma espécie de populismo em escala mundial”.


“A política externa tem que representar a nação. A política externa não pode representar um partido e privilegiar os aliados desse partido no exterior. Não tem cabimento, e foi o que aconteceu, sem dúvida nenhuma”, afirmou. “O problema é que o governo do PT ideologizou, partidarizou essa história. Pelo seguinte: eles estiveram longe de fazer mudança dentro do Brasil. Para satisfazer o ‘se dizer de esquerda’, e uma parte da sua militância, eles no exterior foram se aliando com essas forças bolivarianas. Com isso, deram vigor. Uma parte do vigor do regime venezuelano veio do gás que o Brasil deu”, considerou.


Para o ministro, um país que tem presos políticos como a Venezuela não pode se considerar uma democracia. Ele salientou a necessidade de pressionar o governo do presidente Nicolás Maduro “com a opinião pública mundial e no processo de negociação da Unasul” pela liberação dos líderes da oposição presos. Serra também criticou a afinidade da gestão petista com ideias como o controle da imprensa.


Na entrevista, o tucano reiterou que sua principal preocupação é se sair bem como ministro das Relações Exteriores, o que ele definiu como uma “tarefa patriótica”.


“A única candidatura com que eu estou preocupado agora é me sair bem como ministro das Relações Exteriores e ajudar o governo a se sair bem. Essa é uma tarefa patriótica. O Brasil ficou em uma situação muito precária, do ponto de vista econômico, do ponto de vista social. O Brasil precisa ser refeito, e é indispensável para isso que o governo Temer vá bem. A minha concentração e preocupação está nisso”, avaliou.


Volta de Dilma
O chanceler brasileiro rechaçou uma possível volta da presidente afastada Dilma Rousseff ao cargo. Com a situação deixada pela gestão petista de desemprego em 11,5%, queda do Produto Interno Bruto (PIB), cortes na área social e desperdício de dinheiro público, Serra classificou a possibilidade de Dilma retomar a Presidência como um “pesadelo completo”.


“Não vejo cenário para o Brasil de superinflação e a ideia da Dilma voltar seria um pesadelo completo. Mesmo quem ache que o presidente em exercício Michel Temer é ruim, seria pior voltar atrás”, disse.


O tucano também constatou que, com o avanço das investigações da Operação Lava Jato, o Brasil merece uma “medalha de ouro no combate à corrupção”. “As coisas estão aparecendo. Nesse sentido, o Brasil está dando um exemplo de que é capaz de morder na própria carne: olhar dentro e apontar os problemas, fazer punições e tudo o mais”, reiterou. “Se existe denúncia, tem que haver investigação”, completou.

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