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Tucanos se preparam para devassar falcatruas da Petrobras em CPI
09 de Fevereiro de 2015

Indicados para representar o PSDB na CPI da Petrobras, os deputados Izalci (DF), Otavio Leite (RJ) e Bruno Covas (SP) se preparam para devassar um gigantesco esquema de corrupção cujos danos têm dimensões incalculáveis.


 Dos três parlamentares, Izalci viveu a experiência da CPI Mista que investigou a estatal entre maio e dezembro de 2014. Dominado por governistas empenhados em atrapalhar a condução dos trabalhos, o colegiado avançou timidamente rumo à elucidação das falcatruas. Por isso a importância da CPI, destacou o tucano. Ele criticou a infeliz estratégia adotada por aliados do Palácio do Planalto de subestimar a crise que se instalou na companhia.


 “A gente fica estarrecido com os discursos desta Casa: pessoas ainda tentando justificar o injustificável, defender o indefensável”, disse no Plenário da Câmara, na tarde de quinta-feira (5). “Não é possível que ainda haja quem queira defender a gestão da Petrobras”, completou.

Muitos chegam a banalizar, inclusive, as cifras desviadas, salientou o parlamentar. “Hoje as pessoas falam em bilhões como se estivessem falando de qualquer centavo, qualquer real. Bilhões e bilhões que poderiam ser utilizados na saúde. As pessoas estão morrendo nas filas dos hospitais. As escolas estão em estado caótico.”

Fundo de pensão no alvo – Izalci adiantou que pretende também apurar, no âmbito da CPI, os desvios de recursos do Petros, fundo de pensão dos funcionários da Petrobras. De acordo com denúncias, dirigentes da instituição receberam propina para que repassassem dinheiro a empresas. O tesoureiro do PT, João Vaccari Neto – levado na quinta pela Polícia Federal para prestar depoimento aos investigadores da Operação Lava Jato, – estaria envolvido nesse esquema, sinalizam as investigações da Polícia Federal.

De acordo com o deputado, a situação se repete em outros fundos de pensão de estatais, como o Postalis, dos funcionários dos Correios e o maior do Brasil, com 140 mil contribuintes. “Pessoas que contribuíram a vida toda para receberem o salário integral na aposentadoria vão receber é surpresas”, disse.

Representante do Rio de Janeiro na bancada do PSDB na Câmara, o deputado Otavio Leite chegará à CPI disposto a apurar as negociatas que, inclusive, prejudicam o estado onde fica a sede da petroleira e algumas das nebulosas obras tocadas por ela, como o Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

Complexo da corrupção – Previsto para ser inaugurado no segundo semestre de 2016, o complexo coleciona irregularidades, apontou relatório do Tribunal de Contas da União (TCU). Para começar, a disparidade entre o valor estimado e o gasto na obra. Ao ser anunciada em 2006, ela deveria exigir US$ 6,1 bilhões, valor cinco vezes menor que o orçamento atual (US$ 30,5 bilhões). Além disso, o relatório do órgão de fiscalização indicou que apenas as contratações diretas para o empreendimento, sem licitações, geraram um prejuízo de aproximadamente U$ 1,5 bilhão.

No mês passado, houve demissões em massa no Comperj. Cálculos do Sindicato dos Empregados em Empresas de Montagem e Manutenção (Sintramon) revelam que, somente em janeiro, 5 mil trabalhadores foram dispensados de empresas terceirizadas. A debandada atingiu em cheio o comércio de Itaboraí, no interior do estado, onde é erguido o complexo. Empresários locais afirmam que acumulam prejuízos de até 70%.

Estreante na Câmara, Bruno Covas colocará à disposição dos colegas de bancada todo seu conhecimento e experiência na área jurídica. Advogado formado pela USP e economista pela PUC/SP, Bruno Covas já foi professor de Direito Constitucional. “O Brasil inteiro quer acompanhar e ajudar os deputados a investigarem. Vamos cumprir nosso papel para desvendar o assunto que hoje se discute em todos os cantos do país. O que aconteceu com a Petrobras? Por que ela está nessa situação, fruto do desgoverno do PT?”

Medidas – Em entrevista ao “Jornal da Record News”, o líder do PSDB na Câmara, Carlos Sampaio (SP), disse quais serão os passos da CPI a partir de sua instalação e da nomeação dos integrantes, previstas para depois do Carnaval. “Vamos pedir as provas produzidas na CPI Mista da Petrobras, como também as provas da Operação Lava Jato. A partir do momento em que o procurador-geral da República apresentar os nomes dos envolvidos, no final de fevereiro, quebra-se o sigilo e poderemos ter acesso às informações”, afirmou. “Vamos ter condições também de ouvir pessoas importantes que não foram ouvidas. Por exemplo, o próprio tesoureiro do PT. No ano passado, na CPI Mista, os governistas impediram que o Vaccari Neto prestasse depoimento.”

Ouça matéria da Rádio PSDB

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