Meio Ambiente e Sustentabilidade
O Brasil deve ter um olhar macro sobre a Amazônia, defende Arthur Virgílio
16 de Abril de 2019
"É uma questão de o Brasil abrir os olhos para sua região mais estratégica. Imagine se nós fôssemos a Alemanha, que tipo e intensidade de atenção estaríamos dando à Amazônia alemã?", indagou o prefeito de Manaus, Arthur Virgílio, ao público presente no painel de debates sobre a importância da Zona Franca de Manaus para o desenvolvimento do País, ocorrido na quinta-feira (12/04), em Brasília.

Arthur reforçou seu discurso de que é a Zona Franca que sustenta a maior parte da Amazônia brasileira, referindo-se à área que está dentro do território amazonense, e que o Brasil deve ter um olhar macro sobre a Amazônia, entendendo que a região é uma grande oportunidade de crescimento sustentável e econômico para o país.

"Imagine, por exemplo, o fim da Zona Franca. Se não se fizer a reforma a que me refiro, a Amazônia começará a fenecer. A população do Amazonas investirá sobre a floresta. A floresta mexerá com o ritmo dos rios e isso significará uma crise ecológica grande, com reflexos diplomáticos e quem sabe até contenções e tensões militares. O Brasil precisa acordar para isso", alertou Arthur Virgílio.

Ainda durante o evento, foi apresentado um estudo inédito, realizado por nove pesquisadores da Fundação Getulio Vargas (FGV), para entender os impactos reais da Zona Franca para o Amazonas e ao Brasil. Segundo o professor da Fundação Getulio Vargas e economista Márcio Holland, o trabalho mostra uma evolução muito relevante da renda per capita do Amazonas em relação aos outros Estados do Brasil, além do efeito da arrecadação tributária.

"Temos condições de ter novos polos econômicos no Amazonas, como fármaco, cosmético, bioquímico, biológicos, turismo, entre muitos outros. Acho que se tivéssemos um Estado como esse em um país desenvolvido, muito provavelmente teríamos uma receita com turismo muito maior do que se tem no Amazonas, além da receita com outros polos econômicos, e estamos desperdiçando esses recursos", disse Holland, corroborando com o exemplo citado pelo prefeito.

O encontro em Brasília foi uma realização da Academia Brasileira de Direito Tributário e do jornal Correio Braziliense, ocorrido no auditório do edifício sede do Tribunal de Contas da União (TCU). Ainda em sua fala, Arthur fez questão de retomar que a Zona Franca de Manaus tem mantido a função de proporcionar benesses para todo o país.

"Ou o Brasil abre os olhos, de verdade, para a importância da Amazônia, para a importância da Zona Franca - a Amazônia que todo mundo ama e a Zona Franca que quase todo mundo odeia - que sustenta a floresta em pé, ou com o fim da floresta acabariam as nuvens que levam as chuvas pelo Sudeste, passam pelo Sul e chegam à Argentina", finalizou o prefeito de Manaus.


500 mil empregos
Mais recentemente, Arthur Virgílio também voltou a rebater as declarações que considerou “infelizes” do ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que a Zona Franca de Manaus, geradora de 500 mil empregos diretos e indiretos, não pode ser tratada como um estorvo. Ele disse ser favorável a não se quebrar o diálogo com o ministro e que é preciso levá-lo a entender o conjunto de razões, com base real e sólida, para defender o Polo Industrial de Manaus.


“As críticas, quase acusatórias, bem ao invés, empíricas e insustentáveis, não se sustentariam num debate que, aliás, precisa acontecer logo, na frente do Brasil inteiro”, desafiou o prefeito.


Durante entrevista para a GloboNews, na  quarta-feira (17) da semana passada, Guedes disse que o País não pode ser impedido de reduzir e simplificar a tributação para os demais Estados, “algo inevitável”, em função somente da manutenção da ZFM, e ainda desconsiderou ser perpétuo, mesmo com a garantia constitucional. O ministro disse que o governo federal não vai “ferrar ou desarrumar o Brasil para manter vantagens para Manaus”, disparou.


Para o prefeito de Manaus, que tem constantemente chamado a atenção para os riscos sociais e ambientais que o fim do modelo econômico que sustenta a Amazônia brasileira em pé pode acarretar, alertou que “o mundo não toleraria uma governança irresponsável e que induzisse ao desmatamento da cobertura florestal que cobre o Amazonas. O Brasil perderia densidade política, haveria uma crise diplomática intensa e um certo nervosismo militar internacional”, escreveu no artigo.


Arthur disse ainda que Guedes foi extremamente infeliz ao se referir ao Polo Industrial de Manaus. “O ministro não se mostrou preocupado com o destino de mais de quatro milhões de habitantes do Amazonas que, com o eventual fim da Zona Franca, não teriam nenhuma alternativa de curtíssimo prazo para sobreviver. E nem pareceu informado do caráter estratégico e do fantástico potencial econômico de uma região que é terra Brasil, mas é também de agudo interesse planetário” ressaltou.


(*) Da Secom da Prefeitura de Manaus

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