Inclusão Social
Luislinda Valois: educação de qualidade para todos é a principal medida de promoção da igualdade racial
12 de Maio de 2016

Luislinda Valois tornou-se a primeira juíza negra do Brasil, em 1984. Também foi autora da primeira sentença de condenação por racismo no país, em 1993. Desde então, diz ela, “o Brasil não evoluiu”. “Não há uma vontade política para que realmente se extermine o racismo no Brasil. A sociedade evolui e as formas de racismo também se modificam. Mas ele persiste. Ele está aí”, afirma. “O povo brasileiro está acostumado a ver o negro com um pano e uma vassoura nas mãos. Onde está a participação do negro na evolução socioeconômica deste país?”, questiona.


Nesta entrevista ao Portal do ITV, a desembargadora do Tribunal de Justiça da Bahia conta como foi difícil chegar ao cargo. “Mesmo sendo a primeira da lista, tive que entrar na Justiça contra o estado da Bahia”. Também elege a educação para todos e de qualidade como a principal medida para a promoção da igualdade racial.  “Falo de educação igualitária, não aquela educação onde o preto e o pobre da periferia estudam na escola pública e o povo branco, rico, na escola particular”.


A desembargadora também cobra maior presença do negro nos espaços de poder e afirma que, no Brasil, eles têm hoje a “cota de um”. “É uma Luislinda desembargadora na Bahia, um Luís Fausto Valois no Ministério Público de Sergipe, um Joaquim Barbosa no Supremo, um Benedito Gonçalves no STJ, um Reis de Paula no Tribunal Superior do Trabalho. Alguma coisa está muito errada”.


Luislinda Valois reconhece ainda que, embora a legislação brasileira de combate ao racismo seja boa, há problemas na sua aplicabilidade. “Nós temos que partir da Constituição. A Constituição é que diz, em seu artigo 5º, que todos somos iguais perante a lei. Mas se não se obedece nem a Constituição, imagine as leis esparsas”, diz. “De toda forma, tenho certeza que essa situação chamada racismo um dia vá se autodestruir. Até, porque o racismo e a corrupção matam a alma e destroem o físico”, conclui.


Assista! 

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