Reformas Estruturais
Jovem velhice e "quinta idade" redimensionam o problema da aposentadoria, diz Guita Debert
14 de Julho de 2017
Antropóloga analisa mudança radical na concepção da velhice e novo significado da aposentadoria como questões centrais para tratar da previdência no Brasil e no mundo

Aos 60 anos uma pessoa já é considerada idosa, mas ela pode viver, hoje em dia, até os 90. No mundo atual, essa faixa etária pode ser considerada um dos contingentes de maior quantidade de pessoas e de perfil bastante diversificado. As mudanças que levaram ao crescimento da população idosa, como as melhoras da qualidade e da expectativa de vida, alteraram do modo definitivo a ideia sobre a aposentadoria e impuseram à sociedade um grande desafio. Como manter e garantir um direito considerado fundamental aos indivíduos, mas que implica custos cada vez mais altos, sem que as contas do Estado entrem em colapso?

Em entrevista ao ITV, Guita Debert, professora titular do departamento de antropologia da Unicamp e especialista em velhice e gênero, avalia a nova situação da população idosa, que se divide em "jovem velhice" e o que denomina de "quinta idade", e explica o novo sentido da aposentadoria. "Recentemente, a aposentadoria era um momento da vida que o indivíduo não estava mais apto a trabalhar. Hoje, depois de trabalhar muito, o indivíduo vai desfrutar a vida, fazer novos relacionamentos, tentar outras profissões", declara.

Essa realidade deve ser enfrentada pelos políticos, segundo ela, como um ganho, e não como um risco que levaria à debacle da sociedade. O debate sobre igualdade da idade mínima para aposentadoria entre homens e mulheres é também abordado pela antropóloga. "A mulher necessita de algo diferencial. Ninguém contesta que a licença maternidade seja maior para as mulheres. Acho que o mesmo princípio deveria valer para a aposentadoria", defende.

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