Inclusão Social
Especial ITV: Edgar de Souza, prefeito de Lins, e Maria Filomena Gregori, antropóloga, debatem população LGBT e diversidade sexual na política
23 de Outubro de 2017
"O mérito da campanha não foi meu, mas da comunidade, que elegeu um político homossexual. Foi a comunidade que deu um ‘não' à homofobia", declara o tucano Edgar de Souza, que venceu as duas últimas disputas municipais em Lins, cidade do interior de São Paulo. Conhecido como primeiro prefeito no Brasil a assumir abertamente a sua homossexualidade, Edgar começou a fazer política na pastoral da juventude, órgão de ação social católica, e ingressou na carreira parlamentar aos 21 anos, quando foi eleito vereador em Lins. Após concluir três mandatos na Câmara Municipal, o tucano se elegeu prefeito em 2012 e foi reeleito no ano passado.

Em entrevista ao Portal do ITV, Edgar de Souza conta como foi alcançar a vitória eleitoral em uma pequena cidade do interior paulista sem esconder sua orientação sexual. "Sofri ataques homofóbicos horríveis na campanha, uma baixaria inimaginável. Mas debatemos com a comunidade e mostrei que não era melhor nem pior que ninguém, e que estava ali para discutir os problemas reais da cidade", lembra.

Edgar também destaca a importância dos tucanos na elaboração de políticas públicas voltadas para a população LGBT nos três níveis de governo e trata a criminalização da LGBTfobia e a discussão da sexualidade nas escolas como prioridades para o avanço na consolidação de direitos do grupo.

Na avaliação do prefeito de Lins, o PSDB precisa reafirmar sua identidade política e ideológica. "Nós somos o partido da social-democracia ou nós somos o antipetismo?", questiona. "Nós não nascemos para combater o PT. Nós nascemos para defender a democracia, a radicalização da democracia. E não existe democracia sem a pauta da diversidade."


A experiência de Edgar de Souza é reveladora do redimensionamento da questão LGBT no país e de sua importância não apenas como ativismo independente, mas como item fundamental do debate político no país. "Esses temas têm que entrar na agenda dos partidos, obrigatoriamente", afirma Maria Filomena Gregori, antropóloga e especialista em gênero e população LGBT.

Em entrevista ao Portal, a professora da Unicamp e autora de Prazeres perigosos: erotismo, gêneros e limites da sexualidade (Cia. das Letras, 2016, 288 págs.), avalia o papel das legendas na consolidação dos direitos dessa minoria. Para ela, os partidos são fundamentais na elaboração de políticas públicas e no estabelecimento de parâmetros de civilidade política e democrática, que intimidem atos e concepções conservadoras que têm preponderado nas sociedades contemporâneas.

Maria Filomena analisa também o fenômeno de expansão da população LGBT, que de ativismo localizado passou a demanda mundial. Segundo ela, a ampliação dos diversos segmentos da população LGBT diz respeito à consolidação de direitos em sociedades democráticas, ao alargamento da concepção que se tem do humano, e, principalmente, à internet. "Essa explosão só se consolida porque tem um meio de relação, de rede e de transação de ideias e práticas, que a tecnologia permitiu."


Comentários