Segurança Pública
Burocracia é tão prejudicial ao ex-presidiário quanto o preconceito, afirma coordenador do AfroReggae
29 de Junho de 2016

Preconceito e dificuldades para tirar documentação são os grandes problemas que os egressos do sistema carcerário encontram para conseguir emprego. A constatação vem de João Paulo Garcia dos Santos, coordenador do Projeto Segunda Chance, mantido pelo AfroReggae no Rio de Janeiro, desde 2009, com o slogan “a primeira agência de empregos de ex-presidiários para ex-presidiários”.


“Tudo se resume a preconceito e falta de documentação. Muitos não conseguem emprego porque não têm o título de eleitor, que fica suspenso enquanto a pena é cumprida. Se pudesse pegar o título já seria 80% do caminho para aumentar o número de contratações. Assim mesmo, muitas vezes, o egresso leva toda a documentação, faz a entrevista, faz exame, tem mil cursos, mas se bater que é egresso, eles não contratam”, diz.


Sem a vaga para um emprego e diante de dificuldades como a carência financeira da família, o egresso acaba “vendo no crime uma oportunidade de conseguir o sustento”. “Acontece direto aqui. O sujeito vai na entrevista uma vez, duas vezes, três vezes e nada. Aí, a porta do crime está escancarada e ele vai”, conta. Segundo levantamento feito pelo Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica e Aplicada), um em cada quatro presos no Brasil – 24,4% – volta a cometer crimes no prazo de cinco anos. Na sua maioria, esses reincidentes são jovens, homens e de baixa escolaridade.


Nesta entrevista ao Portal do ITV, João Paulo explica ainda como o Projeto Segunda Chance ajuda os ex-detentos a conseguir uma colocação no mercado de trabalho – um processo que vai desde o enfrentamento da burocracia ao acompanhamento direto na empresa contratante. “A gente é um ponto de partida. E graças a Deus, muitos dos que começaram aqui foram melhorando sozinhos depois”, garante.

Assista!

 

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