Gestão Eficiente
Plano de recuperação do RS prevê revisão de incentivos, concessões e contenção de gastos; diz Eduardo Leite ao Estadão
17 de Junho de 2019
Para recuperar financeiramente o Estado, o governador do Rio Grande do Sul, Eduardo Leite (PSDB), diz que optou pelo caminho mais difícil: consertar os problemas que levaram à crise, sobretudo, o aumento do peso das despesas de pessoal e Previdência. "Precisamos conter o avanço nos nossos gastos", disse, em entrevista ao jornal "O Estado de S. Paulo".

O Banrisul não será vendido, também garantiu o tucano. "Não adianta estabeleceremos a venda do banco sem resolver o que causa o déficit", afirmou, ressaltando que prefere apostar na revisão dos planos de carreiras e retirada penduricalhos.

Na outra ponta, haverá revisão de incentivos fiscais que, no passado, foram concedidos a empresas com intenção de atrair investimentos. Além disso, há previsão para que 750 quilômetros de rodovias sejam concedidos à iniciativa privada. "Vamos fazer um plano robusto", disse. "Estou convencido que vamos virar o jogo no Rio Grande do Sul. O Estado é forte", concluiu.

Leia trechos da entrevista concedida à jornalista Adriana Fernandes

O governo federal quer que o Estado venda o Banrisul. Como resolver o impasse?
Cada governo enfrenta os desafios do seu tempo. O tempo de discutir a venda do Banrisul não chegou para o Rio Grande do Sul. E também privatizar o banco não resolve. Se não atacarmos o que está causando o déficit, a receita advinda na venda do banco vai evaporar diante do crescimento dos gastos. É um banco saudável, funcional bem.

O desgaste político é menor se não vender?

Mas os desgaste de mexer com planos de carreira não é pequeno. O caminho que eu escolhi é mais difícil. Vender o banco botaria de R$ 10 bilhões, compraria uma briga louca e poderia gastar e sair a fazer a obras. Mas o Estado cairia de novo na crise sem resolver os problemas. Vamos revisar o estatuto dos servidores, magistério, carreira militar. Temos estruturas de carreiras muito antigas. E vantagens que já se extinguiram no plano federal.

O que muda com o envio do Orçamento com déficit?
O Estado faz o orçamento e sabe que tem um déficit, mas acaba colocando uma receita extraordinária que não vai se realizar, o que acaba mascarando essa realidade. Nós optamos por encaminha um orçamento transparente e honesto em relação à situação. É o realismo orçamentário. Se o Estado coloca uma receita que não vai acontecer, estimula a autorização de gasto que não terá cobertura financeira. Deixa evidente a necessidade de que precisamos ter um esforço compartilhado para a superação do déficit. Por isso, optamos em encaminhar sem prever reajustes para os outros poderes.

Com o Orçamento deficitário, o sr tirou os outros Poderes da zona de conforto?

Quem está com problema não é Executivo, é o Estado. Um avanço conquistado pelo governo anterior tinha sido de limitar o crescimento do Orçamento dos três Poderes em 3%, que se estima é o crescimento vegetativo. O que acontecer é que os outros poderes deram reajustes, pagaram diferenças de planos econômicos, por exemplo, indenizações de seus funcionários de coisas muito antigas, o que sugere que há espaço no orçamento.

O Tribunal de Justiça reagiu atacando a decisão?

Eu não tenho a expectativa que isso agrade.

Se o sr. conseguir tirar o Estado da crise, cresce como liderança nacional do PSDB?

Me atraio menos por essa questão do que isso vai me projetar politicamente. Ser governador aos 34 anos já é por si só um grande feito. O que vier pela frente é lucro. Sou governador depois de ser sido prefeito de uma cidade do interior que há 100 anos não elegia um governador. Uma cidade empobrecida que é Pelotas. Me projetei para ser governador. Isso já é uma grande façanha. Estou convencido que vamos virar o jogo no Rio Grande do Sul. O Estado é forte.


Foto: Eduardo Beleske/Estadão

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