Gestão Eficiente
Olimpíada deu visibilidade ao esporte, mas não o transformou em política pública, diz Daniela Castro
27 de Dezembro de 2016
Para dirigente de ONG, Brasil poderia ter aproveitado melhor o fato de ser sede do evento para investir no esporte como ferramenta de inclusão social 


Entre tantos fatos de destaque em 2016, a Olimpíada e a Paralimpíada do Rio foram eventos que deram visibilidade ao Brasil e ao esporte nacional, mas mostraram como a falta de planejamento dos governos anteriores deixou passar uma grande chance de fazer do esporte uma verdadeira e efetiva ferramenta de inclusão social. Uma gestão mais eficiente não só poderia ter feito os custos serem menores, como também faria com que o legado fosse mais perene e mais transformador.

"A gente não tem plano, não tem meta e não sabe para onde está indo", diz Daniela Castro, diretora da ONG Atletas pelo Brasil, entidade sem fins lucrativos que reúne atletas e ex-atletas de diferentes gerações e modalidades como Raí, Cafu e Hortência pela melhoria do esporte e de sua contribuição para os avanços sociais do país.

Na época dos preparativos para a Olimpíada, a ONG propôs ao governo federal três metas de legado esportivo: dobrar a atividade física dos brasileiros, oferecer esporte em todas as escolas públicas e elaborar um sistema nacional de esporte eficiente. Os objetivos não foram cumpridos e o Brasil perdeu a chance de investir no esporte como caminho de inclusão social. "Não tivemos um plano para propiciar um legado para a população", analisa Castro.

Em entrevista ao Portal do ITV, Daniela afirma que as mudanças positivas no esporte foram mais fruto de iniciativas da sociedade civil que do poder público ou de entidades esportivas. Elaborado por empresários e ONGs, o artigo 18A da Lei Pelé, que submete o destino de recursos públicos para o esporte a regras de gestão, transparência e governança, e a assinatura de um pacto no qual patrocinadores do esporte se comprometeram a investir apenas em entidades que estão em consonância com o artigo 18A, são, para ela, o principal legado esportivo da Olímpiada.

Mas, quando se trata de política pública, sobretudo para uma área como o esporte, os problemas são mais complexos. "Política pública no Brasil é um grande desafio", observa Daniela, que já arregaçou as mangas para trabalhar em um plano nacional do esporte e nas metas que apresentará e cobrará dos dirigentes municipais, estaduais e federais.

Assista aqui à íntegra da entrevista sobre os erros e acertos do Brasil com a promoção de grandes eventos esportivos, como a Rio 2016.


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