Gestão Eficiente
A "desimportância" atribuída à cultura provoca carência de políticas públicas na área, diz Yacoff Sarkovas
12 de Fevereiro de 2017
Lei Rouanet destina parte do orçamento do governo ao setor e ajuda a ampliar acesso e mercado, mas carece de melhor gestão


"O que se quer da cultura como projeto nacional?", questiona Yacoff Sakovas, CEO das agências Edelman Significa e Zeno e um dos maiores especialistas em marketing cultural do país. Com larga experiência profissional na área, Sarkovas critica o sistema de financiamento da cultura, cuja distribuição de recursos, segundo ele, não é regida por critérios públicos claros.

O valor da cultura como uma das principais atividades responsáveis pelo desenvolvimento da sociedade é baixo no Brasil, e a proliferação e crescimento das leis de incentivo são reveladores desse desprestigio. Sarkovas avalia a "desimportancia" da cultura e a dificuldade no enfrentamento de áreas como saúde, educação e transporte, na discussão do orçamento público, como responsáveis pela abertura de caminhos alternativos para financiar o setor. "Antes do dinheiro do imposto entrar para no caixa geral, cria-se um desvio, que permite ao contribuinte deduzir parte do dinheiro", diz. Para ele, o preço pago pelo "atalho" é bastante alto.

Em entrevista ao ITV, Sarkovas afirma que, apesar de o Estado se responsabilizar pelo financiamento de parte do campo cultural e as captações via Lei Rouanet terem superado o R$ 1 bilhão em 2016, o Brasil ainda carece de uma política pública mais bem definida para a cultura.

"A meritocracia não diz respeito ao benefício público, à capacidade de engajar as pessoas e produzir mais reflexão. O sistema de meritocracia é o de quem consegue acessar empresas e captar o recurso fiscal do Estado pra jogar na sua produção", avalia. Para Sarkovas, o caminho para aprimorar as políticas culturais do país passa não só pelo maior compromisso do Estado com a área, mas também com premissas da boa administração conjugando recursos públicos e privados.

Assista aqui a entrevista na íntegra e compartilhe.

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