Eleições
Redes sociais têm muito o que aprender com o que é de fato fazer política, afirma Joel Pinheiro da Fonseca
30 de Janeiro de 2018


Economista e filósofo debate o papel e o espaço das novas plataformas de comunicação nas disputas eleitorais, no comportamento dos cidadãos e em questões como tolerância e pluralidade

É impensável no mundo de hoje conceber o fazer político sem considerar o papel decisivo que as mídias sociais assumiram na política. A emergência das novas tecnologias e plataformas promoveu grandes mudanças no modo como os políticos e os partidos se comunicam com a população, seja nas campanhas eleitorais, seja na hora de prestar contas do que foi feito. Ao mesmo tempo, essa revolução também ampliou as vozes da negação da política, a polarização exacerbada e a interdição de debates que são fundamentais para o progresso nacional.

Em ano de eleição como 2018, a inquietação sobre o assunto aumenta e as indagações vem à tona: as redes sociais substituem ou não as formas tradicionais de se fazer política? Em que proporção as redes sociais foram responsáveis por vitórias como a de Donald Trump nos EUA? E no Brasil, quais serão as contribuições e limites das redes sociais para a disputa de 2018?

"O candidato que ficar só em mídias sociais estará em péssimos lençóis. Esse mundo das trocas e discussões nas redes nem sempre se traduz em apoio", avalia o economista, filósofo e colunista Joel Pinheiro da Fonseca. Em entrevista ao Portal do ITV, ele analisa a renovação trazida pelas redes sociais para a política e seu impacto nas eleições de 2018. Para Joel Pinheiro, as redes sociais devem operar junto ao processo básico da política brasileira, que são a confiança no candidato, as redes de apoio e os laços pessoais. O economista e filósofo avalia também a polarização que vive o país e alerta para a necessidade de amadurecimento de nossa cultura política.


Essa renovação sob a perspectiva do comportamento e das mudanças de valores é também tratada na entrevista. Joel Pinheiro mostra os efeitos nocivos da radicalização permitida e exacerbada pelas redes sociais e defende a democracia representativa como o melhor meio de garantir o funcionamento e os avanços de nossa sociedade. "Eu quero viver em uma sociedade tolerante, em que eu respeite suas crenças religiosas e você respeite as minhas opções pessoais de vida. Acredito nesse meio termo da tolerância, que não precisa converter o outro para fazer a mudança, porque uma visão única nunca vai acontecer", conclui.

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