Gestão Eficiente
Encontro Nacional de Prefeitos traz debate sobre sustentabilidade e cidades criativas
25 de Novembro de 2016
O prefeito precisa ter uma agenda própria, pois a ele pertencem todos problemas da cidade. Sem agenda com as prioridades, o gestor se perde. O conselho é de Firmino Filho, prefeito reeleito pela quarta vez em Teresina. "Para que as coisas aconteçam, é necessário saber onde queremos chegar. Atentar para os pontos relevantes. O tempo passa rápido. Temos que correr na definição das prioridades, dos projetos que vão balizar nosso discurso. É preciso ter foco", disse.

Firmino abriu o painel sobre sustentabilidade, governança e desenvolvimento criativo no Encontro Nacional de Prefeitos do PSDB, realizado em Brasília na sexta-feira (25/11). Em sua palestra, ele acrescentou que a escolha de uma boa equipe é fundamental para que os resultados sejam entregues à população. "Aqui, existe um acróstico para nos auxiliar: FHC. Fidelidade, pois quem está na sua equipe deve ser fiel ao seu projeto; Honestidade, que garante o compromisso com o patrimônio público; e Competência - a primazia deve ser técnica" afirmou.

Ele destacou ainda a importância de um bom secretário de Fazenda e Finanças, sobretudo, no cenário atual de crise, com queda acentuada do PIB. "Também importante que os servidores tenham uma ‘camisa' pra vestir, objetivos para entrar em campo", completou. "Nós somos prefeitos. Prefeitos e existem para prefeitar, para cuidar do cotidiano, da vida das pessoas. A população quer o prefeito presente, afinal, tudo que fazemos é para transformar a vida das pessoas, para servir os que mais precisam", concluiu.

Reforma começa nos municípios
O ex-prefeito de Vitória, Luiz Paulo Vellozo "vendeu" dois peixes aos prefeitos. "Nessa crise, temos que começar uma reforma do estado brasileiro de baixo para cima. Dos municípios em direção às estruturas estaduais e federais. O pais precisa que nós lideremos a construção de boas cidades, para termos mais desenvolvimento", declarou. Vellozo Lucas também chamou atenção para a questão da responsabilidade fiscal. "Não tem pote de ouro no fim do arco-íris. Temos que fazer mais com menos, ter liderança e criatividade", disse.

Para ele, o ajuste fiscal é agenda política e não, assunto tecnocrático. "O Estado tem que emagrecer, ficar mais forte, mais adequado. Não se trata de corte, mas não ter espaço para gordura, para o desperdício", completou.

A experiência do Porto Digital
O ex-secretário de Planejamento e de Ciência, Tecnologia e Meio Ambiente de Pernambuco, Cláudio Marinho - um dos criadores do Porto Digital de Recife - falou sobre a experiência e as inovações que fizeram do projeto uma das mais importantes e bem sucedidas parcerias público-privadas (PPP) do Brasil. Criado em 2000, o Porto Digital é um dos principais ambientes de inovação do Brasil.
Eleito 3 vezes como o melhor parque tecnológico do País, o Porto Digital reúne hoje mais de 7.100 profissionais altamente qualificados, sendo 500 deles empreendedores. Marinho explicou que o projeto deu novo uso a prédios tombados da antiga área portuária de Recife. "Com a saída do Porto de Suape, ficamos com prédios tombados desocupados e através dessa aliança estratégica entre universidades, empresas, governos municipal e estadual conseguimos reocupar o centro de Recife", afirmou.

Segundo Marinho, o Porto Digital hoje abriga 270 empresas que faturam mais de 1 bilhão de reais por ano. Muitas possuem atuação global e a maioria conta com até de 10 funcionários que recebem salários médios de R$ 2800, acima da mediana nacional. "É um ambiente atraente para novos talentos. Com essa experiência, Recife entrou de vez no mapa", ressaltou.

Para exemplificar como as PPP's são parcerias que dão certo, Marinho citou o esforço feito pelo município junto à iniciativa privada que já revitalizou mais de 80 mil metros quadrados do centro histórico de Recife.
O projeto do Porto Digital em Caruaru, cidade que será governada pela tucana Raquel Lyra, também foi enaltecido por Cláudio Marinho. "Cidades do interior também já se beneficiam com o Porto Digital e muitos municípios já almejam ter projetos como esse".

Racionalidade nos gastos públicos
O secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Mansueto Almeida, elogiou a história do PSDB durante sua palestra no Encontro Nacional de Prefeitos realizado pelo partido. Na visão dele, o PSDB foi sempre um partido de construção. "O Governo FHC marcou nossa história porque fez as reformas que o Brasil precisava. Foi um governo reformista e que estruturou o crescimento dos anos seguintes", disse.

Segundo análise de Mansueto, o Brasil tinha um desequilíbrio fiscal muito grande na década de 80, pois os bancos estaduais emitiam dinheiro aos governos e, assim, inflavam a dívida pública descontroladamente. "Foram reformas fundamentais, como a criação do Plano Real, a privatização de empresas que não precisavam ser do setor público, a quebra dos monopólios", ressaltou.
Mansueto Almeida afirmou que FHC deixou para seu sucessor um superávit de 3% do PIB, em números de hoje o equivalente a R$ 200 bilhões, e Michel Temer recebeu um déficit de R$ 170 bilhões. O País enfrenta sua crise mais séria dos últimos 100 anos, segundo o secretário de Acompanhamento Econômico da Fazenda, a última queda de PIB por dois anos consecutivos foi em 1930 e 1931. "Isso é fruto de erros sucessivos de política econômica. Desperdícios, construção de coisas que não eram necessárias, excesso de protecionismo, muito empréstimo do Tesouro para bancos públicos. Foram mais de R$ 500 bilhões só para dar subsídios muitas vezes desnecessários", explicou.

A recessão vivida pelo Brasil decorre de políticas econômicas equivocadas e é possível sair dela melhorando a gestão e reformando o setor público, segundo Mansueto. "Nos processos de reformas, os frutos nem sempre são imediatos, mas são permanentes. A PEC do controle do gasto é essencial para que as contas voltem a ter equilíbrio, a reforma da Previdência também é fundamental, pois o nosso processo de envelhecimento é muito rápido e o sistema previdenciário consome muito dinheiro".

Mansueto disse ainda ter certeza que o Brasil superará essa crise com as reformas. "As reformas que estamos propondo não são para tirar direitos, mas para garantir aos governos condições de investir em saúde, educação, segurança pública, áreas que de fato melhoram a vida das pessoas".

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