Gestão Eficiente
"Diagnóstico na transição e rapidez no ajuste são fundamentais para uma gestão equilibrada nas prefeituras", artigo de Mauro Ricardo Costa
Mauro Ricardo Costa
Mauro Ricardo Costa
21 de Novembro de 2016
O cenário se repete sempre que a contagem de votos é encerrada e surgem os nomes dos que ganharam as eleições: nem bem termina a euforia da vitória, começam a aparecer os desafios dos novos gestores, muitas vezes agravados por promessas de campanhas.

Em 2016, por causa da crise econômica iniciada em 2015, a difícil situação fiscal dos municípios ganhou destaque nacional e não é de se duvidar que, para alguns, a realidade pode ser ainda pior que a divulgada. Mas, caso algum prefeito eleito esteja assustado, tenho uma boa notícia. Se o processo de transição estiver sendo bem conduzido, se o levantamento de informações levar a um diagnóstico correto, é possível promover ajustes fiscais que resultarão em gestões equilibradas e de sucesso. O nome do primeiro painel do Encontro Nacional de Prefeitos ("O reequilíbrio das contas como prioridade zero - Os primeiros 100 dias") traduz bem o que deve ser feito logo na largada.

Antes que janeiro chegue, é fundamental contar com um time competente à frente da transição, conduzindo o processo. Não há dúvida de que, muitas vezes, será preciso tomar decisões impopulares no início do mandato, mas necessárias.

O apoio político é fundamental nesse processo, porque ele permite a aprovação de medidas duras. Não adianta saber o que fazer e como fazer se não houver apoio para aprovar o que for necessário no Legislativo e para a sua implantação. No início, a reclamação contra cortes de despesas e incrementos de receitas pode ser grande, e uma eventual queda na popularidade pode acontecer. Mas os resultados logo aparecem, na forma de obras e na melhoria de serviços públicos. Com ações visíveis pela comunidade, o prestígio do gestor tende a ser recuperado prontamente.

Costumo dizer que, ao contrário do que acontece na União, nem Estados nem Municípios não possuem maquininhas inflacionárias de fazer dinheiro. Por isso, é preciso achar caminhos corretos. E quanto mais rápido, melhor, para não prolongar eventual desgaste.

Eu sempre sou chamado para fazer ajustes em um curto espaço de tempo. Basicamente, é preciso renegociar dívidas, reduzir despesas e incrementar receitas a fim de promover o equilíbrio das contas, sobrando recursos para investimentos e melhorias nos serviços públicos.

Em 2005, fizemos isso no município de São Paulo, na gestão de José Serra, que foi eleito governador em 2006, no primeiro turno. Em 2013, repetimos na prefeitura de Salvador, na gestão do ACM Neto, reeleito agora no primeiro turno com 74% dos votos.

Outro bom exemplo de que é possível dar uma virada é o que aconteceu no Paraná. O trabalho para equilibrar as contas do Estado começou em dezembro de 2014 e, já no primeiro ano, foi possível equacionar dívidas com fornecedores e pessoal e programar, para 2016 e 2017, volume de investimento recorde.

Ainda há desafios a serem vencidos e eles ganham capítulos novos sempre que enfrentamos negociações salariais difíceis e crise econômica prolongada, como a atual, com queda na arrecadação.

Com seriedade e profissionalismo na gestão pública, é possível gerar os resultados que a população quer e precisa. E que venha 2017!

(*) Secretário da Fazenda do Paraná, foi secretário de Finanças das Prefeituras de São Paulo e Salvador

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