Educação
Reforma atualiza um ensino médio que estava parado no tempo, diz Maria Helena de Castro
24 de Março de 2017
Para secretária executiva do MEC, exagero de disciplinas obrigatórias e falta de flexibilidade do currículo deixavam o Brasil "fora do planeta Terra"

A reforma do ensino médio, sancionada em fevereiro, é uma grande vitória para o país e uma atualização que tenta recuperar anos de atraso. Tornar o sistema mais flexível e condizente com as necessidades dos jovens estava em discussão há duas décadas, e essa demora em colocá-la em prática deixou o ensino médio - e o próprio Brasil - estagnado em relação a outros países. Ainda que tardia, a reforma chega em boa hora para compatibilizar nossa educação com o espírito do nosso tempo.

"O Brasil estava fora do planeta Terra, porque era o único país do mundo que tinha o ensino médio com 13 disciplinas obrigatórias", explica Maria Helena de Castro, secretária executiva do Ministério da Educação. Esse modelo está mais do que ultrapassado, o que explica o principal problema enfrentado pela reforma: a falta de interesse do jovem e de atratividade do currículo do ensino médio.

Em entrevista ao Portal do  ITV, a socióloga especialista em educação apresenta as razões que justificam a reorganização do sistema. Para além dos baixos índices de desempenho de aprendizagem, "o Brasil é o único país que tem um ensino médio fechado, engessado, igual para todo mundo, em que o aluno não tem a possibilidade de escolher as áreas com as quais mais se identifica ou mesmo de fazer um curso técnico como parte da formação do ensino médio", avalia.

Maria Helena também explica as mudanças que serão implementadas como a alteração no currículo, que terá uma base de disciplinas obrigatórias e outra parte flexível, em que o aluno pode optar pelo curso técnico ou aprofundamento em uma área específica do conhecimento. Outra mudança importante da reforma é criar um padrão para a carga horária do curso, seja em escolas com 5 horas de aula por dia, seja as que adotam o período integral.

A reforma foi alvo de críticas e muita discussão sobre a obrigatoriedade ou não no currículo de disciplinas como artes, sociologia e filosofia; jornada do curso; e aprovação da reforma por medida provisória. Os pontos polêmicos são abordados e esclarecidos por Maria Helena, que afirma a importância do que define como outra arquitetura do ensino médio. "Estamos abrindo novas alternativas, possibilidades de itinerários e roteiros de formação para os nossos alunos. O jovem terá um interesse maior pela escola, pela organização de seu curriculum, e o ensino médio vai fazer a diferença em sua vida e não apenas ser um passaporte para o ensino superior."

Assista aqui a entrevista e entenda melhor a reforma do ensino médio, suas mudanças e o que a medida traz de positivo para a educação no Brasil.



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