Educação
Precisamos debater o adiamento do Enem
14 de Maio de 2020
A pandemia do coronavírus nos ensina que não é possível tratar com normalidade situações que estão totalmente fora desses parâmetros, sobretudo, porque colocam em risco a saúde e a vida das pessoas. A excepcionalidade exige isolamento. Escolas estão fechadas, atividades econômicas paralisadas. É assim ou aguardamos o colapso geral do sistema de saúde. Nesse cenário, políticas públicas também carecem de redesenho. É o caso claro do Exame Nacional do Ensino Médio, o Enem, cujo adiamento precisa ser considerado pelo MEC.
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As inscrições para as provas começaram nesta semana, já envoltas em polêmica entre o ministério, os estudantes e as escolas. O governo insiste, em propaganda oficial, para que os alunos estudem como for possível, já que todos estão fora das salas de aula. Argumenta também que até novembro (as provas estão agendadas 22 e 29 desse mês), a situação já será de normalidade.
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Ora, e a preparação dos alunos para o exame? E pior, a preparação daqueles que não estão em ensino à distância e que são 1/3 dos estudantes aptos ao exame? E, pior ainda, daqueles que não têm sequer acesso à internet em casa? A preparação daqueles que, mesmo em situações normais, já concorrem em condições desiguais à uma vaga na universidade?
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A recusa em adiar o Enem, ou pelo menos em debater essa possibilidade, evidencia ainda mais aquilo que percebemos em cada declaração distorcida: o governo se esforça para transformar em normal um cenário de pandemia, de doentes e mortes que se avolumam exponencialmente. Evidencia ainda que ignora um dos maiores fatores de desigualdade no país: o acesso restrito à educação de qualidade.

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