Inclusão Social
‘Só se reduz pobreza com educação e crescimento da economia', afirma Simon Schwartzman
02 de Agosto de 2016
Programas de transferência de renda foram importantes para melhorar a vida dos beneficiários, mas insuficientes para promover uma mudança estrutural que os tirasse da situação de pobreza, na avaliação do sociólogo Simon Schwartzman. Segundo ele, só se reduz a pobreza com crescimento da economia e criação de emprego, e para se ter emprego, é preciso ter educação. "Mas a ideia de que educação é fator fundamental para desenvolvimento do país, nas elites brasileiras, entrou muito tarde. E encontrou um sistema de ensino grande, pesado, burocratizado e com problemas de gerência."

Nesta entrevista ao Portal do ITV, o ex-presidente do IBGE afirma que a educação brasileira tem um "teto de vidro". "Você não enxerga, mas, quando começa a subir, bate naquele teto. Assim é a qualidade do ensino no Brasil: os dados mostram uma melhora aqui, outra ali, bem pouquinho, mas não desata", afirma. E não desata, diz o sociólogo, por dois fatores: a falta de bons professores e mau gerenciamento. "A educação pública virou uma grande burocracia. Não temos políticas públicas que coloquem a questão da qualidade do ensino como prioridade."

Redes de proteção social
Sobre os programas sociais do governo, Schwartzman afirma ainda que é equivocado analisar os efeitos apenas do ponto de vista financeiro, isto é, do incremento de renda pontual. "O Bolsa Família tem um efeito importante para os miseráveis, os que estão na pobreza extrema. Esse grupo, na medida em que recebe um valor em dinheiro, sai de uma situação de não conseguir sobreviver. Mas suas condições de acesso à educação e saúde, por exemplo, não melhoraram", diz.

Outra questão importante, segundo o sociólogo, é que as políticas de distribuição de renda no Brasil costumam ser genéricas. Em outros países, esses programas estão associados a um trabalho mais individualizado, de conversas diretas com os beneficiários, na tentativa de mostrar quais outros recursos estão disponíveis, por exemplo, nas áreas de educação e saúde. "Não é simplesmente dar o dinheiro. Há um trabalho de corpo-a-corpo com a população em situação mais precária", diz. Para Schwartzman, o Chile é um exemplo que o Brasil poderia seguir para incrementar os programas de transferência de renda existentes.

Veja a entrevista de Simon Schwartzman para o Portal do ITV


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