Educação
Em congresso internacional, Pedro Cunha Lima reforça defesa da educação na primeira infância
20 de Agosto de 2019
O presidente da Comissão de Educação na Câmara, deputado Pedro Cunha Lima (PB), participou, na segunda-feira (19/08), do 3º Congresso Internacional de Jornalismo de Educação (Jeduca), em São Paulo. Em debate que discutiu a visão do Parlamento sobre educação, ele aproveitou a oportunidade para criticar o fato de a política brasileira estar resumida a memes. "Eu sonho com o dia que os políticos acordem e se questionem se as crianças estão aprendendo nas escolas. Falta uma consciência de país, não é só uma questão de leis", disse.

O tucano, que dividiu o debate com as deputadas Tábata Amaral (PDT-SP) e Caroline Toni (PSL-SC), falou também da necessidade de investimentos na formação do professor e de oferecer mecanismos para que eles desenvolvam o seu trabalho. "O Brasil não consegue formar professores com qualidade. A informação não chega na ponta, nos municípios pequenos", reforçou o tucano.

Pedro defendeu um consenso sobre o futuro do Fundeb - o Fundo de Desenvolvimento da Educação Básica, cujo prazo de vigência termina em dezembro de 2020. Tramita na Câmara, desde 2015, uma proposta (PEC 15/15) que torna o fundo permanente e prevê o aumento da participação da União, que hoje é de 10%.

Prioridade para a primeira infância
Quando assumiu a Comissão de Educação, Pedro Cunha Lima confirmou seu compromisso de debater o tema de forma democrática e de focar esforços no investimento em educação para a primeira infância. Segundo o deputado, a oportunidade para que as pessoas consigam desenvolver seus talentos é princípio para o combate à desigualdade social. "Todo mundo tem um talento a oferecer. Dar oportunidade e combater a desigualdade é função de todo e qualquer governo", afirmou Pedro, que é também presidente nacional do Instituto Teotônio Vilela (ITV).

Estudos desenvolvidos pelo economista norte-americano James Heckman mostram que nos primeiros anos de vida é quando que se constrói as bases de habilidades que usamos no futuro. Assim, dar educação de qualidade contribui para formação de adultos com mais chances de inserção no mercado de trabalho e menos probabilidade de participação no crime.

Prêmio Nobel de Economia em 2000, Heckman aponta ainda que o investimento na primeira infância possui alto grau de retorno. Para cada US$ 1 investido em política de qualidade para essa fase da vida, estima-se que há um retorno de US$ 17 para a sociedade.

No Brasil, entretanto, a primeira infância ainda é um enorme desafio. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua/2018), apenas um terço das crianças de zero a três anos estão matriculadas em creches.

A pesquisa anual é realizada pelo IBGE e começou a colher esses dados sobre educação básica em 2016. Em dois anos, houve um pequeno crescimento nesse índice, que foi de 30,4% em 2016 para 34,2% em 2018. O risco é que o Brasil não alcance a meta estipulada pelo Plano Nacional de Educação para 2024, de inserir 50% das crianças nessa faixa etária no sistema educacional.

Comentários