Inclusão Social
Aécio: "Quero preservar a sanidade econômica, acelerar a modernização, aumentar a inclusão social e universalizar a educação de qualidade"
13 de Outubro de 2014
Entrevista à revista "Veja" (edição 2395 de 15/10/2014)

Como o senhor se sente, à frente nas pesquisas, depois de ter chegado a ser considerado uma carta fora do baralho?

As pesquisas não vão me tirar do chão. Sei que vamos ter dificuldades lá na frente. Sempre acreditei na vitória, mesmo nos momentos de maior dificuldade.
Nós tivemos duas eleições. Uma antes e a outra depois da trágica morte do Eduardo Campos. Naquele momento, minha candidatura se fragilizou, porque o emocional prevaleceu sobre o racional. Minha candidatura é baseada na razão. O meu desafio agora é deixar a emoção aflorar também.
O senhor perdeu da presidente Dilma Rousseff em Minas Gerais, e o seu candidato a governador não se elegeu. O que deu errado?

Quando saí do governo, minha aprovação era de 92%. Mas isso já faz algum tempo. Claro que gostaria de ter tido um resultado melhor lá, mas é preciso saber distinguir as coisas. A maioria dos eleitores optou pelo candidato do PT. Tenho que, democraticamente, aceitar essa opção. Agora, pode ter certeza de que vou chegar bem na frente no segundo turno em Minas Gerais.
Como pretende explicar aos mais pobres que sua política também os beneficiaria, já que o o PT afirma que o PSDB só governa para os ricos? Esse discurso do governo é de perdedor. O governo sabe que a vida das pessoas só vai melhorar se voltarmos a crescer, a gerar empregos com maior qualidade e se avançarmos em investimentos na área social. Um país que não cresce e não controla a inflação não vai melhorar a vida das pessoas.

O governo quer blindar uma parcela do eleitorado que ele acha que lhe é cativa, que ele acha que domina em razão dos benefícios que distribui.

É uma deslealdade para com os brasileiros usar essa tática do terror. Porque não é a mim que eles aterrorizam, mas aos cidadãos mais humildes, que dependem desse benefício. É a eles que a inflação pune mais. Quem ganha dois salários mínimos vê 35% de sua renda ir embora com alimentos. A inflação de alimentos no governo Dilma foi de 34%.

O senhor é favorável ao décimo terceiro salário do Bolsa Família que Marina Silva propôs?
Não fiz essa conta do ponto de vista orçamentário. Mas pelo custo atual do Bolsa Família não seria algo que impactasse as finanças públicas. Acho que é uma proposta para ser avaliada nesse conjunto de entendimentos que estamos tendo. Bolsa Família não é favor de partido político, é dever do Estado. No meu governo, ela será mantida, melhorada e, se preciso, ampliada. Vamos elevar a qualidade de vida dessas famílias, analisar as carências de cada uma delas e ajudá-las a se preparar para ter uma porta de saída.

Uma das condições de Marina Silva para apoiá-lo é que o senhor desista da proposta de redução da maioridade penal. O senhor cogita recuar?
Eu não toco na questão do fim da maioria penal. A proposta com que a Marina não concorda, e eu respeito, é que, no caso de crimes hediondos, o promotor avalie se os autores são perigosos e o juiz possa processá-los com base no Código Penal. Isso vale para os Chapinhas da vida (adolescente que estuprou e matou uma jovem em 2003 e está preso até hoje), não é relevante do ponto de vista estatístico, representa menos de 1% dos jovens infratores. Ocorre que hoje há uma indústria cooptação de menores para cometer crimes. A quadrilha pega, leva um homem junto, mata alguém no meio de um assalto, e quem assume o crime mais grave? É o menino de 16 anos, isso está claro nas estatísticas. Eu tenho um projeto que duplica as penas de qualquer criminoso que usou um menor de idade para cometer um delito.

Marina foi alvo de uma das campanhas mais violentas da história das eleições por parte do PT. O senhor está preparado para os ataques do mesmo calibre?
Disputo contra o PT a vida inteira, sempre enfrentei. E quem disputa uma eleição contra o PT tem que estar preparado para tudo, inclusive para calúnia e mentira. Estou sereno. Minha vitória não é boa para mim, é boa para o Brasil. Vou fazer uma campanha propositiva, mas vou responder à altura a todo tipo de ataque e leviano e irresponsável e ele está acontecendo no submundo e nas redes. Poque senão vai prevalecer a lógica covarde de que não dá para enfrentar o PT porque ele usa truques sujos contra seus adversários. A sociedade está madura para diferenciar aquilo que é verdadeiro ou difamação. Vou ganhar esta eleição.

O senhor disse que andou muito pelo país ouvindo as pessoas. Qual o maior problema do Brasil?
Se eu quisesse dar uma resposta marqueteira, diria que é corrupção. Mas o que mais ouvi mesmo forma queixas sobre a baixa qualidade do serviço público, com destaque para a saúde e a educação. São muito ruins. Uma coisa me incomoda muito: esse discurso do governo de que "nós mudamos sua vida, o governo federal fez essa obra". Quem muda a vida das pessoas é o próprio cidadão, o sujeito que rala, que acorda cedo e vai trabalhar, que estuda à noite, que chacoalha nesse transporte público horroroso. Não temos governo, mas um transatlântico à deriva. Não temos uma presidente, mas uma candidata "full time" cuidando apenas da campanha e ninguém cuidando do Brasil. Para esse grupo que está ai, o poder é muito mais importante que um projeto de país.

Por que o senhor já anunciou Armínio Fraga como seu ministro?
Vou adiantar outros nomes. Anunciei Armínio porque um dos ativos mais valiosos que nós temos é a qualidade do nosso time. Campanha não é ação solitária de um salvador da pátria. Com a escolha dele, eu sinalizei a qualidade e a direção de uma política econômica transparente, que vai nos permitir o resgate da credibilidade. Com ele, mostro um nível de ministério bem mais elevado do que esse que está aí. Eu anunciei meu futuro ministro da Fazenda, a Dilma anunciou o ex-ministro da Fazenda dela. Quero sinalizar previsibilidade, respeito a contratos, valorização das agências reguladoras, transparência fiscal. O Armínio representa um rumo.

Fernando Henrique foi o presidente da estabilização econômica e da modernização. Lula, o da inclusão social. Que presidente o senhor quer ser?

Quero ser lembrado como o presidente que preservou a sanidade econômica, acelerou a modernização, aumentou a inclusão social, mas que deixou seu maior legado na universalização da educação de qualidade. Quero deixar implantada uma nova escola brasileira – um ensino médio altamente qualificado, com a revisão e a regionalização dos currículos e a qualificação dos professores. Daqui a 50, 100 anos, quando se falar no governo de Aécio, a primeira coisa que virá à lembrança será o presidente que revolucionou a educação e abriu caminho do futuro para o Brasil.

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