Economia
Setores financeiro e produtivo reduzem suas projeções para economia este ano
14 de Maio de 2019
Os setores financeiro e produtivo começam a revisar negativamente os números para a economia brasileira neste ano. Dão a entender que o governo Bolsonaro pouco trabalhou para atenuar os efeitos da recessão deixada pela gestão petista de Dilma Rousseff, cujos efeitos desde 2015 são o baixo crescimento do País e um desemprego que não sai da casa dos 13 milhões de pessoas.

A mais recente edição do Cenário Macro Brasil, editado pelo banco Itaú e distribuído em 13 de maio, aponta piora nos números e projeta recuos até o final de 2019. De acordo com os economistas da instituição, o PIB deste ano foi reajustado para baixo, de 1,3% para um crescimento de somente 1%. Para 2020, as projeções também não são boas: de 2,5% para 2%.

O banco derruba outros índices. Por exemplo, com base nos indicadores de março, a estimativa para o PIB do 1º trimestre desceu de 0,1% para -0,2%. De acordo com o Cenário, "a principal contribuição para isso foi a produção industrial, que recuou 1,3% ante fevereiro (com ajuste sazonal)". O monitor prossegue:

"A confiança do empresário não se recuperou em abril, após forte queda em março, e a criação de empregos medida pelo Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) está desacelerando - fatores que nos levam a crer que (...) a incerteza associada à implementação de reformas tem pesado em alguma medida sobre a atividade econômica".

Sem surpresas


Para o ex-deputado Luiz Carlos Hauly, cuja proposta de reforma tributária tramita na Câmara, esse desempenho da economia não deveria ser surpreendente.

"Tenho previsto que o Brasil não vai sair dessa crise, que começou em 2014. O problema que estamos vivendo é que não se encerrou o ciclo de recessão. O que ocorre no Brasil é gravíssimo. A estrutura tributária brasileira é tão iníqua, injusta e inconsistente, que leva as empresas a uma situação desesperadora", lastimou, para acrescentar:

"Se não saírmos desse labirinto que entramos aos poucos, não teremos a retomada do desenvolvimento econômico. Os indicadoes continuarão ruins. Arrecadação insuficiente porque não há crescimento e endividamento crescente".

O Cenário traz ainda que revisou a estimativa de déficit primário para 2019: de 1,5% para 0,8% do PIB, assim mesmo porque incluiu a receita extraordinária que é esperada pelo leilão da cessão onerosa. Porém, para o próximo ano, os números tornam a piorar para o déficit primário, indo de 1% do PIB para 1,1%.

De acordo com o informativo do banco, alguns números foram mantidos: o dólar fecha 2019 em R$ 3,80 (para 2020, R$ 3,90) e a inflação oficial fica em 3,6%, neste e no próximo ano.

Indústria também preocupada

Com a economia andando de lado, na indústria começam a surgir os primeiros sinais de preocupação. O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi) calcula novos números decepcionantes para 2019 e projeta queda de 2% na produção industrial até dezembro - já havia caído em 2017 (2,5%) e 2018 (1,1%). Pior: um terceiro ano de retração contamina as expectativas para 2020.

Já a Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq) estima que o faturamento pode até crescer neste ano, mas menos do que em 2018. De novo, a razão é a atividade econômica desacelerada. Em 2018, a alta foi de 7%, mas o número tem tudo para ser revisado para baixo.

E o Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas (Ibre/FGV) deve reduzir a projeção do crescimento do PIB da indústria de transformação, indo de 1,4% para 0,9%. A preliminar tem por base indicadores que apontam para a contração de 1% do PIB do setor no primeiro trimestre de 2019, se comparado ao mesmo período de 2018.

Com informações do Valor Econômico

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