Economia
Sem projeto de longo prazo, o comportamento político fica aleatório e oportunístico, diz Delfim Netto
08 de Agosto de 2017
Um dos maiores economistas brasileiros analisa a atual crise econômica e avalia que sua superação depende, para além da aritmética, de um programa para o futuro do país e da reforma política

Nome respeitado entre economistas e políticos, o ex-ministro da Fazenda, da Agricultura e do Planejamento Delfim Netto tem sido requisitado, no auge de seus 89 anos, para tratar de um dos momentos mais críticos da história econômica brasileira. Em entrevista ao ITV, Delfim examina a grave crise fiscal do Brasil e aponta dois grandes obstáculos para a retomada de seu crescimento: a Previdência e a luta de classes entre o alto funcionalismo público, que se apropriou do poder e de privilégios, e os trabalhadores. "Como um país que gasta cerca de 60% de sua receita, com funcionalismo e Previdência, pode crescer? Se gasta mais com os velhos, do que com a mocidade e a educação. O país não está construindo seu futuro", avalia.

Para Delfim, a solução, menos pior, para enfrentar esse adverso período de transição é conservar o governo de Michel Temer e, paralelamente, fazer a reforma política e elaborar um programa de 25 anos para o Brasil. "Nosso sistema político é disfuncional. E como não tem orientação de longo prazo, o comportamento do político é aleatório e "oportunístico". Precisamos montar um sistema que, a partir de 2019, funcione. Porque obviamente esse sistema não funciona", diz. Delfim também revela sua opinião sobre a operação Lava Jato. "A Lava Jato é um ponto de inflexão na história do Brasil. Nunca mais as relações entre o setor privado e o governo serão tão incestuosas como foram. O Brasil nunca mais será o mesmo. Ele vai ser melhor", conclui.

Assista aqui a entrevista na íntegra

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