Inclusão Social
Pleno emprego no Brasil ainda é ilusão
27 de Agosto de 2014

O crescimento medíocre da economia, a perda de competitividade e a gigante burocracia do Estado estão sufocando a dinâmica do setor privado e a geração de empregos no país. A CNI (Confederação Nacional da Indústria), em entrevista à Agência Estado, informou que já estamos perdendo postos de trabalho.


Dados do Ministério do Trabalho divulgados na última quinta-feira (21/8) indicam que a indústria fechou o mês de julho com saldo negativo de 15.392 vagas. É o quarto mês consecutivo que este setor vital da economia registra demissões líquidas.


O governo Dilma alardeia uma situação de pleno emprego no Brasil. Uma análise mais criteriosa dos números, no entanto, revela que a situação está longe de ser confortável. Muito pelo contrário, confira:



  • No país há hoje 62,6 milhões de brasileiros com mais de 14 anos que estão fora do mercado de trabalho. Eles representam 38,5% da população considerada em idade de trabalhar pelo IBGE. O número é muito maior que o de 7,3 milhões de brasileiros oficialmente classificados como desempregados. Mesmo tirando da conta os menores de 18 e os maiores de 60 anos, são 30,4 milhões de pessoas sem trabalho. O que ocorre é que o desemprego real acaba sendo subestimado pelo desalento (pessoas que desistem de procurar trabalho) e pela precariedade (trabalham menos que o equivalente a 40 horas semanais).



  • As condições precárias de trabalho desestimulam pessoas no auge da idade produtiva a procurar emprego. No 1º trimestre de 2014, 14,7% da população entre 25 e 39 anos estava fora da força de trabalho. São brasileiros que não procuram emprego, ou seja, não são nem sequer computados como desempregados. O percentual é ainda mais alto no Norte (19,1%) e no Nordeste (17,5%).



  • A taxa de desemprego entre jovens brasileiros é alarmante, atingindo padrões de países europeus em crise. No primeiro trimestre de 2014, alcançou 22% na faixa etária entre 14 e 17 anos e 15,7% entre 18 e 24 anos, segundo a Pnad.



  • Entre as mulheres, a taxa de desemprego é 50% superior à dos homens: no 1º trimestre deste ano, foi de 8,7%, enquanto a dos homens ficou em 5,9%.



  • A informalidade e ilegalidade continuam fortes no mercado de trabalho. Parcela significativa dos trabalhadores não contribui para a Previdência (40%) e não possui carteira assinada (22,3% dos empregados do setor privado no 1º trimestre de 2014).



  • Outros levantamentos mais rigorosos que a PME do IBGE apontam taxas de desemprego bem mais próximas dos índices de outros países, como demonstra a tabela abaixo. Para efeito de comparação, no epicentro da crise de 2008, o desemprego dos EUA era de 6,3%. O do Reino Unido era de 6,6%, e o da Alemanha, de 5,2%.

















PME – IBGE(Abril/2014)

 


 


 


Pnad Contínua IBGE(1º tri/2014) Dieese(Abril/2014)
Desemprego 4,9% 7,1% 11,1%

 



  • No ano passado, foram gerados 1,1 milhão de empregos formais, com queda de 15% sobre 2012. Foi o pior resultado em uma década. A criação de vagas formais piorou ano a ano no governo Dilma, conforme mostra o quadro abaixo. Nos últimos anos, o país especializou-se na criação de vagas de empregos com vencimentos de até dois salários mínimos. Acima desta faixa já foram fechadas 1,22 milhão de vagas nos três primeiros anos do governo Dilma.


 





















Ano Empregos
2011 1,96 milhão
2012 1,31 milhão
2013 1,11 milhão

 



  • Os resultados mais recentes de 2014 continuam indicando enfraquecimento do mercado de trabalho: março e abril tiveram a pior geração de vagas formais dos últimos 15 anos. No acumulado do ano até abril, a queda é de 16,6% em relação ao mesmo período de 2013.



  •  Em julho deste ano, o mercado de trabalho registrou a criação de 11.796 postos, uma queda de 71,5% em relação a julho de 2013, quando foram criadas 41.463 vagas. É o pior resultado para julho desde 1999.



  • 12,3% dos ocupados nas seis maiores regiões metropolitanas recebem menos de um salário mínimo. São 2,8 milhões de pessoas. Em Recife, são 25,8% e em Salvador, 23,0%.

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