Gestão Eficiente
Para José Aníbal, Banco Central pode e deve reduzir imediatamente a taxa de juros
14 de Setembro de 2016
Diante de um quadro de depressão e baixa demanda, em que caem as expectativas de inflação, é possível que o Banco Central promova a redução dos juros. A avaliação é do presidente do Instituto Teotônio Vilela, senador José Aníbal. Em discurso no Plenário do Senado, na terça-feira (13/09), ele afirmou que a queda imediata da taxa Selic aliviaria as despesas com a dívida do governo, das famílias e das empresas.

"A recessão, por si só, já garante a queda da inflação. Não precisamos ter a maior taxa de juros reais do mundo, de 8% ao ano", disse. "As contas públicas seriam beneficiadas imediatamente, sendo que cada ponto de queda da Selic corresponde a R$ 25 bilhões de economia - o equivalente a um orçamento anual do Bolsa Família", completou.

Além disso, destacou o presidente do ITV, a redução dos juros traz outro benefício indireto para as contas públicas: ao reduzir o custo dos empréstimos tomados pelas empresas, cresce o espaço para que elas voltem a pagar impostos, melhorando as perspectivas para a arrecadação do governo.

Reformas estruturantes
Em seu discurso, José Aníbal afirmou que, para que o País supere a crise na qual está imerso, será preciso avançar em reformas estruturantes: fiscal, trabalhista, da previdência e política. "Outra medida essencial é interromper todas as contratações e reajustes salariais previstos. Sem exceções", reiterou. "Chegou a hora deste Congresso discutir saídas efetivas para os problemas estruturais do Brasil. Já não bastam os paliativos. Já não são suficientes os analgésicos. Ou resolvemos nossos problemas ou vamos patinar", complementou.

O presidente do ITV também propôs a aprovação do projeto de securitização da dívida pública, de autoria do ministro José Serra, como fonte extra de receita, e a revisão de todos os contratos do governo, para combater as ineficiências. "Lembrando Drummond: a festa acabou, a noite esfriou e - acrescentaria - o dinheiro acabou. Qualquer centavo adicional implica aumento de dívida pública a um custo de 14,25%. Um custo para os mais pobres. Gasto adicional só se for para criar emprego", afirmou Aníbal.

Futuro é responsabilidade de todos
O senador rebateu ainda a ideia de "golpe" que a oposição ao governo Temer tenta impor e afirmou que é preciso responsabilidade e compromisso de todos os partidos com o futuro da nação. "As guerras partidárias têm de ser postas de lado para que as reformas necessárias ao crescimento econômico e à expansão do Estado de bem-estar social encontrem lugar. O rancor que aparece nos discursos dos meus colegas petistas não pode ditar o tom do debate que precisamos fazer neste momento. O PT é avesso às leis, mas o pressuposto básico é que se aceite, de uma vez por todas, a soberania da Constituição e da democracia", disse.

Segundo José Aníbal, mesmo diante de todo o descalabro econômico, da corrupção generalizada e comprovada, dos crimes fiscais cometidos sob o lulopetismo, do desemprego que atinge 12 milhões de pessoas, o PT e seus aliados não enxergam a necessidade de uma gestão mais eficiente e reduzem seus discursos a duas palavras de ordem: "golpe" e "eleições".

"O lulopetismo foi a experiência mais desastrosa de nossa história. O preço de nossos produtos agrícolas e minerais dispararam no período de Lula e Dilma, mas toda essa riqueza foi usada para consumo, sem qualquer melhoria significativa no investimento e na infraestrutura, bases do crescimento e do emprego. O populismo, que dá com mão pequena e tira com mão grande, é um vício do qual a agora oposição não consegue se livrar. Estão contra modernizar o País; estão contra criar condições para que nossa economia cresça; estão contra eliminar os privilégios que vêm prejudicando o País. Me preocupa a irresponsabilidade de setores dessa nova oposição. Só fará mal ao Brasil essa conduta mesquinha, que não se dobra ao peso da Constituição, da democracia, das leis e das regras do jogo", afirmou o presidente do ITV.

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