Economia
Nova queda na inflação, retomada de vagas e melhoria no ambiente de negócios sinalizam recuperação da economia
21 de Julho de 2017
A recuperação da economia brasileira, passados os estragos causados pela má gestão petista, fica cada vez mais evidente com a análise de indicadores divulgados neste mês de julho. A prévia do Índice de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), por exemplo, mostra uma queda de 0,18%, segundo o IBGE. É o índice mais baixo desde setembro de 1998, e o menor para o mês de julho desde 2003.

No ano, o IPCA-15 acumulou uma alta de 1,44%, o que está bem abaixo dos 5,19% registrados no mesmo período do ano passado. Já no acumulado dos últimos 12 meses, a inflação caiu para 2,78%, índice inferior aos 3,52% dos 12 meses anteriores.

Esse resultado dá sustentação para que o Banco Central não desacelere o ritmo do corte da taxa básica de juros, a Selic. Atualmente, os juros básicos estão em 10,25%. A expectativa do mercado é que, a próximo reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central, o índice seja reduzido em um ponto percentual, mantendo o ritmo das decisões anteriores.

"O Brasil se recupera pouco a pouco de uma crise grave, mas há muito ainda por fazer", avalia o presidente do Instituto Teotônio Vilela, José Aníbal. Segundo ele, é preciso que o país saiba conviver com a apuração de atos ilícitos, como vem sendo feito pela operação Lava Jato, mas que não retroceda na recuperação da economia. "São coisas que não se conflitam. A crise política não pode paralisar o esforço pela volta do crescimento, da geração de empregos", disse.

Retomada do emprego
Em junho, o mercado de trabalho brasileiro criou 9.821 vagas com carteira assinada, chegando ao terceiro mês consecutivo de alta, segundo dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados).

No 1º semestre, foram 67.358 vagas a mais. O resultado para o período é o melhor desde 2014, quando foram abertos 588.671 postos de trabalho com carteira assinada. Nos 6 primeiros meses do ano passado, o Brasil havia fechado 531.765 postos.

"Ainda não é o suficiente para recuperar o desastre provocado pelo lulopetismo. Mas é sinal inequívoco de que está sendo feito o que sempre defendemos: reformas estruturantes para colocar o país nos eixos, com inflação controlada, responsabilidade fiscal e condições de investimento para a promoção do emprego e da renda", reiterou José Aníbal.

"Já foi dado um passo significativo com a sanção da reforma trabalhista que vai dar maior segurança jurídica aos geradores de emprego e mais oportunidades de formalização do trabalho. Há ainda um passo fundamental para arrumar a casa: a reforma da Previdência", concluiu.

Construção civil reduz cortes
Outra boa notícia com relação ao emprego é que o setor de construção pesada, em São Paulo, deve parar de cortar funcionários, de acordo com o Sindicato Paulista da Indústria. Esse ramo, que perdeu 12,5% dos postos de trabalho ao longo do ano passado, se manteve praticamente estável desde o fim de 2016, com apenas uma leve retração no primeiro semestre deste ano e dois aumentos consecutivos entre maio e junho.

O deputado estadual Ramalho da Construção (PSDB-SP) ressalta como o momento inspira retomada econômica. "O emprego no Brasil voltou a dar uma melhorada no geral. A esperança nossa é que o Brasil volte a crescer, e o setor da construção civil volta também a mostrar sinais de crescimento", diz.

No fim de junho, o governo do Estado, liderado por Geraldo Alckmin (PSDB), anunciou um pacote de R$ 360 milhões para novas obras rodoviárias. A tendência para a área é de um crescimento até mesmo no fim do ano, quando as obras costumam ser interrompidas, e muitas vagas são fechadas por conta das chuvas. Ainda assim, o setor pode demorar um bom período para se recuperar da retração dos últimos anos: foram demitidos 23 mil trabalhadores entre junho de 2015 e de 2017.

Confiança na indústria
Além da queda da inflação e da retomada de postos de trabalho, o mercado tem mais um motivo para ter esperanças na recuperação da economia: o Índice de Confiança da Indústria, medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV), teve um crescimento de 1,2 ponto na prévia de julho, em comparação com o consolidado do mês anterior. O indicador chegou a 90,7 pontos, em uma escala que vai de zero a 200 pontos.

Também houve alta na confiança em relação ao momento presente, medida pelo Índice da Situação Atual, que chegou a 88,4 pontos, e no otimismo, avaliado pelo Índice de Expectativas, que teve alta de 1,2 ponto, alcançando 93,3 pontos.

Para o deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), os resultados positivos registrados pela economia no mês de julho apontam na direção da superação da crise, originada nos anos de desgoverno e má gestão petista. Ainda assim, o tucano destacou que o caminho para a recuperação passa obrigatoriamente pela conclusão das importantes reformas em análise no Congresso Nacional.

"Todos esses bons índices estão condicionados à aprovação da reforma trabalhista e à possibilidade de aprovação da reforma tributária. São as medidas que estão influenciando a economia brasileira, junto com a supersafra registrada neste ano, que ajudou bastante porque o dinheiro da agricultura acaba refletido em mais compras. Nesse momento econômico, a indústria tem reagido a todo esse processo, com a confiança dos empresários subindo a cada dia", avaliou o parlamentar.

Otimismo na micro e pequena empresa
Também os empresários da micro e pequena indústria afirmam que o ambiente dos negócios melhorou em junho, segundo pesquisa do Datafolha encomendada pelo Sindicato da Micro e Pequena Indústria de São Paulo. Na avaliação de 34% dos entrevistados, a situação era ótima ou boa em junho, ante 29% em maio.

O levantamento, que ouviu empresários de São Paulo, aponta que houve queda entre aqueles que avaliaram a situação como ruim ou péssima, passando de 39% em maio para 31% em junho. Consideraram regular, em junho, 36%, ante 32% no mês de maio.

O faturamento do setor também apresentou alta. Em junho, 27% qualificaram como bom ou ótimo, contra 19% de maio. O faturamento regular ficou estável em 31%. Já 42% tiveram faturamento ruim ou péssimo, queda em relação a maio, quando o percentual foi de 51%.

A pesquisa informou também que 27% dos entrevistados afirmaram que a crise econômica está mais fraca e acreditam que haverá crescimento em breve. Outros 2% avaliam que o período de turbulência já passou.

Em relação à contratação de novos empregados, 11% das empresas abriram vagas em junho. Entre as micro, 9% abriram vagas, e entre as pequenas, 23%. A expectativa de abertura de novos postos é de 12%, mesmo índice do levantamento anterior.

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