Inclusão Social
Não vivemos um modelo fechado, nem um novo modelo; estamos vivendo na implosão de nossos sistemas, avalia Sérgio Abranches
24 de Julho de 2017
Sociólogo e cientista político analisa as transformações econômicas, ambientais e sociais pelas quais passa o mundo, seus efeitos sobre a democracia e a urgência da mudança no sistema político brasileiro

A globalização e a digitalização provocaram grandes transformações em todo o mundo. Só que essas mudanças ainda estão em curso e, nós, inseridos nesse fluxo e sem saber ao certo onde tudo isso vai dar, vivemos a superação do velho e a consolidação progressiva do novo. "Precisamos de soluções transitórias, porque o velho deixou de funcionar, o novo não está em funcionamento completamente, e, nesse meio, temos 7 bilhões de pessoas passando por problemas ambientais, políticos, sociais e econômicos", alerta o sociólogo e cientista político Sérgio Abranches, que publicou neste ano "A era do imprevisto: a grande transição do século XXI" (Companhia das Letras, 416 páginas).

Em entrevista ao ITV, Abranches apresenta o livro como sua contribuição para o que considera o grande desafio de nosso tempo: enfrentar uma era de transição e encontrar novas formas de representação política. Para ele, as sociedades têm se amparado em paradigmas pensados para um tipo de ordem mundial que não existe mais. E os efeitos dessas mudanças já se manifestam na economia, com modelos que não conseguem dar conta de um novo capitalismo; na sociedade, com a mutação difusa da estratificação de classes e grupos sociais; e, na política, pela crise generalizada da democracia.

O autor examina também a redução da desigualdade e o combate à pobreza nesse contexto. "Esse processo de mudança aumenta drasticamente a desigualdade social. Precisamos pensar soluções novas, ainda que transitórias", afirma. Para atacar o problema, cabe antes se ater à seguinte questão, de acordo com o sociólogo: quem é a nova categoria de despossuídos e o que podemos fazer por ela?


Na entrevista, Sergio Abranches conta também sobre seu novo projeto: pensar a política brasileira neste mundo em rupturas. Para ele, o sistema político do país não acompanhou a modernização da sociedade brasileira nem as transformações digitais do mundo e, com isso, se tornou ultrapassado. "A discussão da reforma política está sintonizada, no Brasil, com a manutenção das grandes oligarquias partidárias, sem abrir espaço para a renovação."

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