Economia
Governo FHC foi exemplo de política social-democrata para a América Latina, avalia Samuel Pessôa
07 de Março de 2017
Para físico e economista, sem a redução do intervencionismo estatal e a estabilização macroeconômica, não seria possível a construção de uma agenda social como a lançada pelo governo tucano


Que tipo de governo é mais eficiente no combate à pobreza? Samuel Pessôa, físico com doutorado em economia pela USP, responde: "É o que pratica uma política de liberalização do mercado, redução forte do intervencionismo, organização macroeconômica e reforço da posição fiscal, para que o Estado tenha recursos para tocar a agenda social". E ninguém teve mais clareza em relação a essas premissas do que o presidente Fernando Henrique Cardoso. Quando o governo do PT resolveu pôr em prática as concepções atrasadas da extrema esquerda, o que se viu foi a maior recessão da história, alta dramática do desemprego e risco de insolvência do governo.

Por isso, o pesquisador do IBRE-FGV e colunista do jornal Folha de S.Paulo é direto em definir o governo FHC como paradigma da social-democracia na América Latina, como fez nesta entrevista ao Portal do ITV e em dois artigos recentes publicados pela revista Piauí. Para Samuel Pessôa, é equivocado, para não dizer injusto e desonesto, qualquer tentativa de rotular a gestão tucana como "neoliberal" ou de "direita". "O governo FHC foi social-democrata stricto sensu", diz. A agenda social sempre foi uma prioridade para o presidente tucano, em cujo governo foram iniciadas ou consolidadas políticas públicas de assistência social, como o Programa de Erradicação do Trabalho Infantil (PETI), o Benefício de Prestação Continuada (BPC), o Bolsa-Escola e o Cadastro Único - sem os dois últimos, seria impossível existir o atual Bolsa Família.

Nessa didática análise dos últimos 25 anos do Brasil, Samuel Pessôa mostra como a estabilização da economia e o rigor com as contas públicas são fundamentais para qualquer governo de vocação social-democrata em um país ainda marcado pela desigualdade - em especial as políticas públicas de cunho social, como seguro-desemprego, programas de transferência de renda e benefícios previdenciários. A resistência à responsabilidade fiscal e a leniência com a alta da inflação demonstradas pela esquerda, assim como o populismo e o intervencionismo na economia, inevitavelmente cobram uma fatura que recai sobre os mais pobres. "Nossa experiência mostra que existe uma incompatibilidade entre a agenda de intervenção nos mercados e a agenda social. E foi isso que o FHC percebeu", afirma Pessôa.

Veja a íntegra da entrevista

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