Economia
'Dilma atingiu o máximo de sua aprovação quando estava no máximo de seus erros', afirma Delfim Netto
03 de Agosto de 2016
A pior recessão da história do Brasil tem origem em medidas populistas e irresponsáveis com a coisa pública, na avaliação do ex-ministro da Fazenda e do Planejamento e ex-deputado federal Delfim Netto. "O que se está vivendo é a quebra de confiança da sociedade no governo, o que aconteceu nos últimos anos do governo Dilma", afirmou o economista, em entrevista exclusiva ao Portal do ITV.

Para Delfim, a partir de 2012 teve início um processo de "intervenção arbitrária e voluntarista" na economia que quebrou a confiança dos investidores. Ele citou como exemplo as intervenções no setor elétrico. "Baixar a tarifa (da energia elétrica) é ótimo, mas você precisa baixar a tarifa com condições para baixar a tarifa", disse o ex-ministro. "Baixar a tarifa na marra não vai funcionar. Foi um ato insensato."

Outra medida populista tomada pelo governo da petista foi forçar a queda da taxa básica de juros sem condições fiscais para tanto. Assim, explicou o ex-ministro, "Dilma atingiu o máximo de sua aprovação quando estava no máximo de seus erros". Não bastasse isso, a campanha petista "fez o diabo" e "demonizou os oponentes" na eleição de 2014. A consequência de tanta irresponsabilidade foi recessão, desemprego e uma crise política sem precedentes. "Não há muita divergência sobre a tragédia montada no Brasil."

Austeridade e esperança
Delfim considera bem concebidas as propostas do governo interino de Michel Temer, desde que aplicadas com rigor e continuidade no controle dos gastos públicos combinadas com "esperança no crescimento". "No primeiro momento que a roda girar na direção certa, aquele círculo vicioso vai se transformar em ciclo virtuoso", afirmou.

O ex-ministro defendeu na entrevista políticas públicas que criem igualdade de oportunidades para mitigar as desigualdades "no ponto de partida" de duas pessoas nascidas em condições socioeconômicas diferentes. Por fim, Delfim também aponta para a importância de se manter uma taxa de câmbio competitiva para a exportação, e não meramente para o controle inflacionário.

Clique e assista à entrevista completa de Delfim Netto ao Portal do ITV

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