Ciência e Inovação
Produzir conhecimento é mais do que criar um “novo Google” numa garagem, diz Carlos Henrique de Brito Cruz
26 de Janeiro de 2017
Para diretor científico da Fapesp, investir em ciência e tecnologia é condição imprescindível para desenvolvimento social, econômico e intelectual de um país


"Todo mundo pensa que é assim: coloca dois meninos numa garagem e faz o Google, o Facebook. E as pessoas começam a achar que tudo será desse jeito. Mas o mundo é mais do que isso, a humanidade é mais do que isso e precisa mais do que isso", afirma Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). Para o engenheiro, físico e professor da Unicamp, universidade da qual foi também reitor, o conhecimento é fundamental para o crescimento de um país e demanda investimento e políticas consistentes para atingir seus objetivos sociais, econômicos e intelectuais. "Conhecimento é aquilo que permitiu ao ser humano melhorar as condições de vida da humanidade."

Em entrevista ao ITV, Brito Cruz analisa as contribuições da ciência e da tecnologia nessas três perspectivas e aponta os obstáculos do país para converter conhecimento em riqueza. O principal desafio, segundo ele, é criar condições para as empresas investirem mais em atividades de pesquisa e na contratação de cientistas e pesquisadores. "Não tem nenhum país no mundo que fez desenvolvimento econômico tendo pesquisa só na universidade e levando esses resultados, magicamente, para alguma empresa usar. O jeito que todos fizeram foi ter muito cientista na universidade e, ao mesmo tempo, ter muito cientista trabalhando nas empresas", explica.

Apesar da carência de mais investimento em pesquisa dentro da empresa, o Brasil tem exemplos bem-sucedidos nesse sentido, como a indústria alimentícia, o programa do etanol combustível e a própria Petrobras, conforme destaca o diretor científico da Fapesp.

Para Brito Cruz, a ciência e a tecnologia podem também contribuir para o país sair da crise ajudando na aceleração do retorno do desenvolvimento da indústria, assim como no próprio entendimento das razões que levaram o Brasil à atual situação. "Por quê uma nação se joga em um buraco assim? Isso é uma coisa que precisamos saber para não fazer de novo."

Veja aqui a entrevista na íntegra
 

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