Ciência e Inovação
Desprezar papel da ciência no desenvolvimento econômico é dar tiro no pé, afirma Luiz Davidovich
05 de Dezembro de 2017
Presidente da Academia Brasileira de Ciência aponta investimento em tecnologia como saída sustentável da crise, mostra o que a área já fez e pode fazer pelo país e alerta para consequências de cortes orçamentários do setor

As dificuldades fiscais do Brasil, resultado tanto de problemas estruturais como da grave recessão deixada pelo governo passado, têm provocado uma redução de recursos públicos disponíveis para setores importantes, como a área de ciência e tecnologia. Embora necessário no atual momento, tal esforço não deve se tornar uma rotina, sob risco de comprometer o desenvolvimento e desperdiçar oportunidades.

Avanços da ciência brasileira revelam o potencial da área. Em 2017, o país vai economizar R$ 15 bilhões ao não precisar mais importar adubo nitrogenado, medida possível em função das descobertas da engenheira agrônoma brasileira Johanna Döbereiner.

A experiência internacional é também parâmetro do importante papel da ciência para a economia. Em países desenvolvidos, cada dólar investido em pesquisa retorna seis dólares. "Os recursos que vão para a ciência e tecnologia no Brasil não devem ser considerados gastos. Acho absurdo que estejam incluídos no teto de gastos. Eles são investimentos, que têm retorno fantástico", declara Luiz Davidovich, presidente da Academia Brasileira de Ciência.

Em entrevista ao Portal do ITV, Davidovich defende as riquezas do território nacional como privilégios pouco aproveitados e mostra o que a ciência e a tecnologia já fizeram pelo Brasil. Segundo ele, o país tem 20% da biodiversidade mundial, e a agricultura e o pré-sal são grandes vitórias do setor. Davidovich explica também as consequências da falta de investimento na área que leva à fuga de cérebros, paralização de laboratórios e, principalmente, ao sacrifício de uma geração de pesquisadores.

O físico e também professor da UFRJ considera que precisamos de um projeto para a nação, que vá além do ajuste fiscal. "A biotecnologia baseada na biodiversidade nacional poderia ser um grande projeto Apollo para o país", sugere.

Assista aqui à entrevista

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