Centenário Teotônio Vilela
Conheça a vida parlamentar de Teotônio Vilela em discursos e imagens
26 de Maio de 2017
Teotônio Vilela era um frasista reconhecido. Contador de histórias e contador da história. Não por menos, ganhou o título de "Menestrel das Alagoas". Além disso, era orador eloquente, que facilmente conquistava atenção e respeito dos ouvintes.

Confira aqui alguns de seus discursos na Tribuna do Senado.

Teotônio discursa em defesa da Lei de Anistia"Anistia é o encontro da nação consigo mesma; depois de tantos erros e animosidades, procura-se, pelo esquecimento dos fatos, restabelecer, através da respeitabilidade da lei, a convivência dos homens desavindos em torno dos altos interesses que consolidam a unidade nacional."

"Dizer que o movimento de 31 de Março de 64, como todos os seus similares no passado, decorreu de forma incruenta é escarnecer dos mortos. E se houve morte de parte a parte, houve sangue de parte a parte. A substância profunda da Anistia está exatamente em reconciliar a Nação, esquecendo os fatos tristemente ocorridos num momento de desequilíbrio histórico do sentimento nacional."

"A anistia iniqua, imoral e inconstitucional nem sequer é uma anistia inversa, lembrada, por Rui Barbosa, é simplesmente perversa."


Discurso feito no Congresso Nacional, em defesa da proposta de Anistia ampla, na sessão de 22/08/1979 - data de aprovação da Lei.
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"Estamos em plena crise. De muitas causas de múltiplas consequências. A crise é social. Também econômica. Mas, antes de tudo, é institucional, como decorrência da prática continuada do arbítrio, que teima em não ouvir e insiste em não ver."

"A consolidação e a ampliação da abertura política depende de nossa capacidade de sustentar constante e ininterrupta pressão sobre o regime. Para esse esforço convocamos os brasileiros."

"A Nação brasileira tem aspirações bem definidas. O seu povo, expectativas bastante claras. E não se mostra disposto a admitir novos adiamentos do atendimento de suas expectativas".


Ainda na Arena, Teotônio lê documento de convocação da população para lutar por uma Assembleia Nacional Constituinte e a abertura do regime militar. Discurso lido no Plenário do Senado, em 18/04/1979. Logo depois, já no MDB, ele sairia pelo país em campanha pela Anistia.
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"Ulysses Guimarães e Paulo Brossard na solenidade de ingresso de Teotônio no MDBA realidade brutal é que sofremos de carência generalizada, vai do feijão à Constituição."

"O que quer o povo é atenção às suas necessidades - da ordem política à ordem econômica e social. Nada disso é bicho de sete cabeças, mas tudo isso requer principalmente a ética da sinceridade [...] Do ganho de trabalho ao ganho de capital, da dívida interna à dívida externa, da legalidade ao AI-5, à democracia relativa, se transformou a terra firme, ainda que fraca, em um enorme charco [...] E um bom cavaleiro sabe que o charco é o pior dos abismos - porque procura esconder as evidências."


Já no MDB, em 12/06/1979, Teotônio ocupa a tribuna do Senado para apontar os excessos do regime e a lentidão no processo de abertura.
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Teotônio em visita a presos políticos"Somos, em última análise, os representantes do povo. E ali está um parcela do povo, e ali também estão todos os parentes dos presos políticos, ali também estão, dentro daquelas grades, todos os organismos intermediários da sociedade brasileira, que se manifestaram pela sua soltura, dentro daquelas grades está a Ordem dos Advogados do Brasil, dentro daquelas grades está a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, dentro daquelas grades está a Associação Brasileira de Imprensa, estão os Sindicatos dos Trabalhadores, os Diretórios Estudantis, está o povo."

Em 17/08/1979, Teotônio vai a Tribuna fazer um apelo em favor dos presos políticos do Rio de Janeiro que estavam em greve de fome.
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"É uma história altamente dolorosa, e é este o aspecto que fundamente me toca. Não estou discutindo os termos da demanda entre operários e empresários. Tenho focalizado a obrigação do poder político exatamente naquilo que mais nos teca, que é a garantia dos direitos do homem."

Pronunciamento feito em 30/04/1980, em defesa dos metalúrgicos em greve no ABC paulista
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"O pesar é comum, as lembranças é que suscitam algo de novo na alma nacional: o tema da liberdade. [...] Não falo por falar, mas por sentir a alma inqueita, sôfrega, incontrolável, sobrecarregada de solicitações e apelos, arrebatada de sons e clamores, arrastada pelos tempos de ontem, de hoje e de amanhã em sucessivas metamorfoses até chegar, trêmula e contrita, ao túmulo de Juscelino e descobrir que ali não jaz, mas vive o tema da liberdade."

Homenagem póstuma a Juscelino Kubitscheck, feita no Senado em 16/08/1976
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Teotônio e Carlos Lacerda"A verdade é que não deixou de viver um só minuto da vida brasileira e nem de tomar atitude e definição em face das coisas e dos homens. Carregava, inerente à sua personalidade, todos os valores da representatividade popular, que se são constraditórios muitas vezes, também ele teria de ser."

Discurso em homenagem a Carlos Lacerda, morto em junho de 1977
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"A abertura que se propõe é de caráter evolutivo e não e ruptura [...] A democracia, já incorporada à nossa vivência social como ideologia política e como filosofia de vida, é o regime apto a no fornecer meios de respeitar e preservar o poder, o patrimônio, o interesse e a competição."

Em 07/04/1978, ainda na Arena, Teotônio vai à Tribuna apresentar ao Congresso e à Nação o Projeto Brasil, propondo abertura política e econômica ao país.
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"Defronto-me com o meu próprio destino - o fado dos antigos cronistas e poetas - e isso não me assombra. O meu espírito se mantém erguido e nele mantanho hasteada, diante das intempéries, a fé a tremular como testemunho de vida. Os mistérios da morte amiudaram os seus segredos em torno de mim."

Humberto Lucena, Ulisses Guimarães, Nelson Carneiro, Tancredo Neves e Paulo Brossard (de costas) na despedida de Teotônio do Senado"Temos de cultivar o dia 15 de novembro como quem cultiva uma semente muito nobre e de cujo destino depende esta grande Nação [...] Mesmo porque a 15 de novembro travar-se-á o grande e único diálogo contemporâneo do povo brasileiro com a história."

"A mudança que se quer não é uma pretensão vulgar ou um gesto à toa, mas uma necessidade de vida. Paramos de sonhar e estamos na iminência de parar de respirar. A mudança, portanto, é um impositivo orgânico da História, do tempo, do povo, da realidade."


Despedindo-se do Senado, Teotônio fala da importância do pleito de 15 de novembro de 1982, quando foram eleitos, pelo voto direto, os primeiros governadores desde a chegada dos militares ao poder. O PMDB conquistou nove estados, entre eles, Minas Gerais, com Tancredo Neves, e São Paulo, com André Franco Montoro. Discurso feito em 31/08/1982.
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