Armínio Fraga: impeachment pode ser forma de destravar a crise
17 de Novembro de 2015
Confira a entrevista do ex-presidente do Banco Central, publicada no jornal "Folha de S.Paulo", em 17/11/15

Folha - Já batemos no fundo do poço?
Armínio Fraga - Não acredito, não. Infelizmente, até para estabilizar vai ser preciso trabalhar bastante. Não vou dizer que seja um poço sem fundo, mas não se corrigirá sozinho.

Existe solução econômica que não passe pelo fim da crise política?
Não.

E o fim da crise política virá como?
Precisa acontecer ao mesmo tempo um entendimento de qual é o cardápio, do que é preciso fazer, e um quadro político que permita essa tomada de decisão. Conscientização e execução.O quadro hoje é caótico. Qual seria a solução? Há muitas possibilidades
A presidente fica? Não fica? É um caminho mais político? O próprio TSE? Difícil prever. Há muita coisa acontecendo com uma dinâmica própria.É até bom que tenha mesmo.
Mas, em algum momento, é preciso que haja um grupo suficientemente coeso que faça essa aposta. Essa mudança recente de posição do PMDB, com a proposta, foi um passo importante.

O impeachment é uma solução?
Pode ser. Qualquer coisa que aconteça dentro das regras do Estado de Direito vale. O importante é ser feito assim, para que ninguém possa dizer que é golpe. E é assim que está acontecendo.
Se for isso, se os fatos em geral levarem nosso Congresso, democraticamente eleito, a tomar essa decisão, ou nosso TSE tomar uma decisão nessa área, que assim seja. Pode eventualmente contribuir para uma solução.
Mas não é algo em que se possa dizer "eu quero isso". Pode acontecer porque somos um Estado democrático, aberto, e as instituições vão funcionar, e, se for isso, que assim o seja.Poderia, sim, poderia destravar alguma coisa, com certeza.

A crise política também é agravada pela espada da Lava Jato pairando sobre o Congresso...
Isso preocupa muito. Outro problema é que muitos ainda pensam que as opções são ou fazer o ajuste ou ser feliz. Isso é absolutamente falso.

Leia a ÍNTEGRA!

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