Agricultura
"Pelo fim do cabidão no Desenvolvimento Agrário", por Xico Graziano
XIco Graziano
XIco Graziano
23 de Maio de 2016
O presidente Michel Temer e sua equipe precisam enfrentar rapidamente um terrível problema deixado pela administração petista: o aparelhamento político da máquina pública. Primeiro, cortar milhares de cargos comissionados, aqueles desnecessários, em que as livres nomeações permitiram empregar a militância partidária sem qualificação. Puro fisiologismo.

Segundo, o aparelhamento do Estado se manifesta na avalanche de convênios com ONGs de todos os tipos, instrumento por meio do qual fatia robusta do Orçamento público alimenta as organizações ideológicas ligadas ao lulopetismo. Neste caso, o extinto Ministério do Desenvolvimento Agrário é campeão. Análise que realizei em 2015, a partir do Portal da Transparência, mostrava que o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) repassou, entre 2003 a 2014, a enormidade de R$ 2,75 bilhões - sim, bilhões - para 1.424 entidades civis. Muito dinheiro.

Lidera a lista das beneficiadas a Fundação para o Desenvolvimento do Semiárido Nordestino. Fui ao Google procurar conhecer tal ONG. Não localizei sequer seu site. Como teria ela aplicado os R$ 58 milhões que recebeu, em sete convênios, para investir na reforma agrária? Em segundo lugar, aparece a Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (CONTAG), que recebeu R$ 48 milhões. Essa entidade, pelo menos, é histórica. Seguindo-a está o Instituto Creatio. Pesquisei na internet. Trata-se de uma ONG, do Mato Grosso, que afirma atuar, repassando recursos públicos, nas áreas de educação, cultura e, principalmente, saúde. Nada consta sobre reforma agrária. Muito estranho.

Depois se encontra a surpreendente Associação de Produtores Rurais Boa Esperança. Alguém sabe onde fica tal associação? Há várias, com nomes parecidos: uma em Querência (MT), outra em Primavera (PA), outra em Seringueiras (RO). Todas pequeninas. Alguma delas faturou R$ 36,3 milhões do MDA. Por aí vai. A lista completa das entidades conveniadas está disponível em www.xicograziano.com.br.

Não se deve generalizar. Muitos convênios, por certo, aplicam corretamente o recurso público, ajudando aos menos favorecidos no campo. Existem ONGs sérias e responsáveis. Mas o joio se mistura no trigo. Falta transparência, existe manipulação política. É por aí que o MST garante o soldo de seu "exército vermelho".
Desgraçadamente, a reforma agrária parece também não ter escapado da corrupção.

Xico Graziano é Engenheiro agrônomo e mestre em Economia Agrária (USP), doutor em Administração (FGV-USP), é professor de pós-graduação da FGV-Agro e sócio-diretor da ePoliticsGraziano-Posicionamento Digital

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