Trump
Celso Lafer
Celso Lafer
19 de Fevereiro de 2017

 


Um ponto fora da curva da tradição política americana recente


Raymond Aron, ao tratar dos níveis de compreensão que o campo das relações internacionais oferece, sublinha que não cabe a analogia nem com o futebol nem com a economia. O futebol tem regras, juiz e o preciso objetivo de dois times de ganhar a partida, disputada em campo delimitado e com número fixo de participantes. A economia concentra-se num problema claro, a escassez, e dedica-se à busca de soluções para escolher modos possíveis de utilizar com eficiência e equidade os recursos existentes.

 


Nos dois casos, apesar da variedade de táticas e estratégias, há clareza quanto aos objetivos. Nas relações internacionais, não: seus objetivos não são unívocos. Destaco isso para analisar o que significa para o mundo a ascensão de Donald Trump à Presidência dos EUA.


Fatores básicos condicionam a condução da política externa de qualquer país: espaço e localização geográfica, demografia, recursos, pluralidade das identidades nacionais e diversidade dos regimes políticos. O que caracteriza as relações internacionais é que os fatores não são sempre mobilizados por um só objetivo e podem favorecer ora mais, ora menos, dependendo da conjuntura interna e externa, a segurança, o desenvolvimento, o bem-estar, o prestígio, a afirmação de ideias.


A mudança de objetivos de política externa de uma grande potência como os EUA tem repercussão geral. Com efeito, estes se caracterizam por terem não apenas interesses específicos, mas interesses gerais no funcionamento do mundo por conta, como dizia Campanella, de suas ambições universais. Daí a pergunta: qual é a repercussão para o mundo do interesse específico do excludente “America first” de Trump? É um confronto com os elementos de continuidade da política externa dos EUA desde o fim da 2.ª Guerra e com a institucionalidade da ordem mundial que ajudaram a moldar.

Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S. Paulo", em 19/02/2017 

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