Síndrome do pessimismo
Rubens Barbosa
Rubens Barbosa
10 de Janeiro de 2017

A interação das crises econômica, política e ética está deixando
marcas profundas na sociedade brasileira. Manifestações violentas,
individuais ou coletivas, contra pessoas ou o Estado, tornaram-se
rotina. O mau humor instalou-se de forma permanente, consequência da
insegurança, do desemprego crescente, que aflige as famílias, da perda
do poder de compra da maioria que recebe salário e também das
estratosféricas taxas de juros, que afetam as pessoas e as empresas.


Característica da insatisfação e frustração é a tendência ao
negativismo e pessimismo. As notícias quase diárias de corrupção da Lava
Jato, da total insensibilidade da classe política e de setores
corporativos diante da crise estão tornando difícil a leitura isenta e
desapaixonada até de acontecimentos positivos. O discurso lulopetista do
“nós e eles” está à solta.


Um claro exemplo disso é o fato de terem passado despercebidos o
exame e a aprovação de algumas leis pelo Congresso e mudanças com ações
do Estado que afetam positivamente a todos, governo, setor privado e
indivíduos. Nos cem primeiros dias (outubro-dezembro) do governo Temer, o
Executivo, visto como fraco, ineficiente e fragilizado pela Lava Jato,
bem como o Congresso, apesar de desmoralizado e enfraquecido, aprovaram
uma série de reformas que nem Lula nem Dilma tiveram disposição ou força
política para sequer tentar que fossem examinadas.


A lista é expressiva: lei que permite a desvinculação das
receitas da União, lei que regula o funcionamento das estatais, lei das
concessões e privatizações, lei que muda o regime de exploração do
pré-sal, lei das empresas aéreas, lei que facilita a privatização do
setor elétrico, lei permitindo repatriação de recursos mantidos no
exterior, lei que permite redução de jornada a servidor federal com
cônjuge ou filho deficiente, lei que amplia poderes das CPIs, lei para
renegociação de dívida de produtor atingido pela seca, lei que
simplifica trâmite de processos judiciais, PEC do Teto de gastos
públicos, lei da reforma do ensino médio, medida provisória que
regulariza a situação fundiária em áreas pobres e carentes (favelas). E
ainda se iniciou a discussão sobre a revisão das dívidas estaduais, da
Lei Rouanet e das importantes reformas da Previdência e trabalhista.


Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado no jornal "O Estado de S.Paulo", em 10/01/2017

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