"Resgatar nosso futuro", por Antonio Anastasia
04 de Novembro de 2015
Qual o principal problema da educação pública no Brasil hoje? Essa foi a pergunta feita pelo Instituto Data Popular em uma pesquisa sobre o tema. Em primeiro lugar não ficou a infraestrutura das escolas, a preparação ou a baixa remuneração dos professores, o desrespeito dos alunos ou a falta de participação dos pais. Alarmantemente, em primeiro lugar, com 28%, a violência e falta de segurança nas escolas foi apontado como o principal problema.
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública mostra que, só em 2014, o Brasil teve 58.497 mortes violentas intencionais. E as maiores vítimas são os nossos jovens. O Mapa da Violência aponta que em 2012 (últimos dados da pesquisa) mais de 42 mil pessoas foram mortas por arma de fogo no Brasil. Desse total, quase 25 mil eram jovens de 15 a 29 anos.
Os números são assustadores. Mas não podem ser tratados só como números. Em meio ao embate político, aos graves problemas econômicos, às situações de faltas éticas extremamente preocupantes, parece que o País esquece o que está acontecendo no dia a dia de nossas comunidades. O Brasil está matando o futuro daqueles que poderiam ajudar na construção de um País melhor. E muitas vezes não o fizeram por absoluta falta de oportunidades.
Esse não é tão somente um problema de segurança pública, é um gravíssimo problema social. Sua solução não sairá tão somente de ações do Governo – apesar de elas serem fundamentais e sem elas nenhuma melhoria significativa ocorrerá –, mas de toda sociedade engajada: pais, escolas, policiais, agentes sociais, lideranças comunitárias, empresários, trabalhadores. Todos em prol de uma nova cultura de paz que, infelizmente não conseguimos construir até hoje no Brasil.
Apesar do cenário devastador, eu tenho muita esperança de que possamos avançar nesse tema. Vejamos a experiência mineira do Fica Vivo, iniciada ainda ao tempo do governador Itamar Franco que tornou-se programa de Estado nos Governos seguintes. Por meio dele, identificamos as comunidades com maiores índices de criminalidade. Em um diagnóstico, por meio de estudos, verificou-se que o jovem era, ao mesmo tempo, a vítima e o autor da violência. Era ali que o Estado precisaria agir, com foco nesse personagem principal.
Uma série de ações foram desenvolvidas que envolveu a atuação policial, mas não só isso. O principal era a prevenção. Entender as necessidades daquelas pessoas, desenvolver nelas suas capacidades.
Atividades socioculturais foram criadas. Acompanhamentos psicossociais começaram a acontecer. O jovem assistido pelo Fica Vivo passou a ter opção, refletir sobre o futuro. E começou a construí-lo com a ajuda do Estado e da comunidade. O resultado foi uma redução de até 50% no índice de homicídios nos locais em que foi inserido o programa.
Sempre defendi que as soluções para a questão da segurança pública não envolve a adoção de uma simples ação. Como as causas são múltiplas, as soluções também precisam ser. Elas envolvem a reconstrução da família como eixo de referência; a ação da comunidade, de envolvimento e superação de desafios; o papel preponderante da escola, que precisa ter um ambiente de paz para que os alunos possam se desenvolver como cidadãos; a atuação do Estado, na oferta de oportunidades, de mediação e de Justiça. É um desafio e tanto. Mas não podemos desistir. Não podemos deixar morrer nosso futuro.
(*) Senador pelo PSDB-MG


Artigo publicado no jornal "Hoje em Dia", de 01/11/2015

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