Por que é possível falar do Pinheiros limpo para 2022
Benedito Braga
Benedito Braga
19 de Agosto de 2019

A primeira pergunta que todo mundo se faz quando falamos do rio Pinheiros limpo até 2022 é: o que há de diferente agora para atingirmos essa meta? Se tanta coisa já foi feita, o que nos possibilita acreditar em algo que queremos tanto e que seria tão simbólico para São Paulo?


Podemos citar seis fatores que se somam agora, cada um importante em um aspecto, seja político, estrutural, logístico, econômico, técnico e social. O primeiro é a união de várias áreas e órgãos no âmbito da Secretaria de Infraestrutura e Meio Ambiente do Estado de São Paulo. Isso permite uma atuação mais rápida e conjugada de Sabesp, Emae (Empresa Metropolitana de Águas e Energia), Cetesb e Daee (Departamento de Águas e Energia Elétrica), cada um trabalhando com rigor dentro das suas atribuições.
Junte-se isso à disposição das prefeituras da região em contribuir e temos uma conjuntura nova e muito propícia.


Não podemos esquecer o estágio que o Projeto Tietê atingiu com investimentos de quase R$ 12 bilhões em 26 anos, com gigantescas obras estruturantes, como a ampliação da Estação de Tratamento de Esgotos (ETE) de Barueri e os grandes interceptores e coletores tronco.


Destaque para o ITi-7, um grande túnel de 7,5 km de extensão, com largura que poderia abrigar quase uma linha de metrô, e que segue ao lado e abaixo da marginal Tietê, ampliando enormemente, ainda este ano, a capacidade de transporte dos esgotos para o tratamento.


Nesse aspecto, o projeto Novo Rio Pinheiros também está apoiado em um completo mapeamento da bacia hidrográfica, mostrando os imóveis que precisam ser conectados e as redes que necessitam ser criadas para encaminhar o esgoto à ETE Barueri. São cerca de 500 mil imóveis, sendo que mais de 70 mil serão conectados à rede de coleta.


Uma inovação no atual programa do governo estadual é a utilização da modalidade de contratação por performance. As empresas serão contratadas com metas a serem atingidas e não simplesmente para construir uma obra. Esses contratos são parte importante do investimento de aproximadamente R$ 1,5 bilhão da Sabesp nesse programa.


Outro fator são as estações de tratamento de esgoto em áreas informais. Como existem grandes áreas de ocupação informal nas sub-bacias do Pinheiros, onde há restrições técnicas e legais para que as redes coletoras de esgoto sejam instaladas, essas estações farão o tratamento do esgoto diretamente no córrego, permitindo que as águas sigam mais limpas para o Pinheiros.


E o último fator —mas, provavelmente, o mais importante— é o atual estágio de amadurecimento da sociedade, que não aceita mais viver nessa situação, convivendo com rios mortos na cidade mais rica do país. As pessoas, empresas, organizações não governamentais e demais instituições têm demonstrado interesse em apoiar e participar desse processo. E esse senso de propósito é fundamental para que dê certo.


Leia a ÍNTEGRA DO ARTIGO, publicado na “Folha de S.Paulo”, em 19/08/2019


(*) Benedito Braga é presidente da Sabesp

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