O show tem que parar
Thelma de Oliveira
Thelma de Oliveira
11 de Abril de 2017

As decisões da Rede Globo de Televisão em dois episódios recentes envolvendo um ator e um participante do programa Big Brother Brasil sinalizam mudanças de comportamento da maior emissora do País.


A denúncia de uma figurinista contra um ator protagonista de várias novelas e seriados e a agressão verbal e física de um participante do reality show a uma mulher tiveram uma rápida resposta pública, com o afastamento de ambos de atividades do show da telinha.


A emissora agiu certo. Nesses casos, o show tem que parar.


O País não suporta mais, nos dias de hoje, em dias de redes sociais, afrontas desse tipo, demonstrações machistas inconsequentes, arbitrárias e virulentas.


Um homem não pode se sentir poderoso ou impune a ponto de realizar um assédio constante e impertinente a uma mulher só porque na estrutura de produção de uma emissora assume o papel de “galã”, a ponto de tocá-la sem seu consentimento.


Não há dúvida de que o show tem que parar e a realidade se impor.


O afastamento do ator é apenas uma das punições que lhe cabem, e nem mesmo a autocrítica pode lhe servir de atenuante, mas sim servir apenas como um emblemático depoimento de seu tempo machista, que está findando.


O caso do participante do Big Brother também é emblemático. Um figurante de um reality show em busca de sair do anonimato e ganhar ares de estrela também não pode abusar de uma mulher, intimidá-la com o dedo em riste e menos ainda machucá-la.


Os mais de cinquenta milhões de telespectadores que assistem corriqueiramente a esse programa não poderiam testemunhar isso e considerá-lo normal diante da passividade da emissora.


A rápida atuação de uma delegada da Delegacia Especial de Atendimento a Mulher (DEAM) e a resposta da Globo afastando o participante são confortantes em tempos de exemplos tão ruins que o País está conhecendo na política brasileira.


Impossível ele continuar disputando o prêmio maior quando sua atitude só merece reprovação.


O show teve que parar!


(*) Prefeita de Chapada dos Guimarães (MT) e vice-presidente do PSDB-Mulher, foi deputada federal

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